O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) da Espanha emitiu um parecer favorável à renovação da licença de operação da usina de Almaraz até junho de 2030, deixando a decisão final nas mãos do governo. A notícia, reportada pela Forbes España, foi recebida como um endosso técnico crucial pelo Conselho Geral de Engenheiros Industriais do país, que há meses alerta para os riscos de um desligamento prematuro.
O movimento coloca o Ministério para a Transição Ecológica espanhol numa encruzilhada. De um lado, um compromisso político de desativar gradualmente a energia nuclear. Do outro, um laudo técnico que confirma a segurança da planta e um coro de especialistas que aponta para o caos na matriz energética caso a usina seja desativada sem um substituto à altura. O caso de Almaraz é um microcosmo do dilema que percorre a Europa: como conciliar a ambição climática com a segurança e o custo da energia.
O dilema da transição
O argumento do Conselho de Engenheiros é puramente técnico e pragmático. Segundo a entidade, a Espanha ainda não dispõe de uma alternativa viável para substituir a energia de base fornecida por suas usinas nucleares, que geram cerca de 20% de toda a eletricidade do país utilizando apenas 5% da potência instalada. A ausência de tecnologias de armazenamento em larga escala significa que, sem a fonte nuclear, a estabilidade da rede dependeria de usinas de ciclo combinado, alimentadas por gás natural.
Essa substituição teria um efeito duplo e indesejado: aumentaria as emissões de CO2, indo na contramão das metas ambientais, e elevaria a dependência de gás importado, um risco geopolítico e econômico que a Europa conhece bem. A leitura é que, enquanto as renováveis não forem plenamente despacháveis — ou seja, capazes de gerar energia de forma constante e controlada —, prescindir da geração nuclear é uma aposta de alto custo.
O debate espanhol ecoa por todo o continente. Enquanto a Alemanha lida com as consequências de seu apressado phase-out nuclear, a França dobra a aposta na tecnologia como pilar de sua soberania energética. A decisão sobre o futuro de Almaraz, portanto, não será apenas uma definição administrativa, mas um sinalizador do peso que a realidade técnica terá sobre a direção política da transição energética na Europa na próxima década.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





