As gigantes do setor alimentício Mars, fabricante dos chocolates M&M's e Twix, e a General Mills, dona de marcas como Cheerios e Pillsbury, abriram uma nova frente de batalha judicial contra seus principais fornecedores. Em uma ação movida em um tribunal federal de Chicago, as companhias acusam os maiores produtores de açúcar dos Estados Unidos, incluindo o ASR Group (proprietário da Domino) e a United Sugar, de orquestrar uma conspiração para manipular preços.
Segundo a acusação, detalhada em reportagem da agência Reuters, os produtores teriam coordenado preços ilegalmente ao compartilhar informações concorrenciais confidenciais por meio de um intermediário. A prática, que teria ocorrido entre 2017 e 2024, teria forçado os fabricantes de alimentos a pagar bilhões de dólares a mais por um insumo essencial, em um período em que os preços do açúcar granulado atingiram níveis recordes.
Um histórico de acusações
Este processo não é um raio em céu azul. A própria petição judicial ressalta que a indústria açucareira americana “tem sido marcada por repetidas violações das leis antitruste há mais de 80 anos”. A nova ação se soma a um processo coletivo já em andamento em Minnesota, onde os mesmos produtores de açúcar negam as acusações. A leitura é que Mars e General Mills, ao lado de outras empresas como a McKee Foods (dos bolinhos Little Debbie), buscam aumentar a pressão legal e recuperar perdas substanciais.
A alegação central é que a troca de informações sensíveis entre concorrentes, mesmo que via terceiros, teve o objetivo direto de estabilizar ou controlar os preços do setor, uma violação clássica das leis de concorrência. O desafio para os autores da ação será provar a causalidade direta entre a troca de dados e a inflação dos preços, transformando suspeitas de mercado em um caso robusto de cartelização.
A defesa e o jogo de xadrez
Do outro lado da mesa, a defesa se articula. Em comunicado, o ASR Group afirmou que as novas alegações são apenas uma reformulação de argumentos já presentes no litígio pendente, e que os fatos não sustentam as acusações. A estratégia parece ser a de tratar o caso como uma repetição oportunista, descredibilizando a nova ofensiva judicial. Para os réus, o objetivo é demonstrar que os movimentos de preço seguiram a dinâmica natural do mercado, e não uma conspiração.
O caso expõe a tensão inerente a cadeias de suprimentos concentradas, onde um punhado de fornecedores detém um poder significativo sobre um insumo crítico para uma vasta gama de produtos de consumo. A disputa entre algumas das maiores marcas do mundo e seus fornecedores estratégicos será acompanhada de perto, não apenas pelas cifras bilionárias envolvidas, mas pelo precedente que pode criar para a regulação de práticas competitivas em mercados de commodities.
O resultado definirá se a troca de informações em setores concentrados é uma prática aceitável de inteligência de mercado ou uma linha vermelha que configura um cartel. Para os consumidores, a decisão pode influenciar o preço final de inúmeros produtos nas gôndolas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





