A era de simplesmente adaptar produtos de mercados ricos para os emergentes pode estar com os dias contados. Em um novo livro, “Global by Design”, o professor do MIT Amos Winter e o estrategista Vijay Govindarajan argumentam que a inovação bem-sucedida no século 21 exige uma abordagem fundamentalmente diferente: projetar desde o início para uma escala global.

Segundo reportagem do MIT News, a tese central é que o verdadeiro crescimento para as empresas, especialmente as já estabelecidas em mercados de alta renda, está nos mercados emergentes. O problema é que a estratégia de “copiar e colar” um produto americano ou europeu para um contexto como o da Índia geralmente falha, seja pelo preço proibitivo ou pela inadequação às necessidades locais.

A lógica do design universal

O framework proposto pelos autores busca guiar inovadores, de startups a multinacionais, em um processo que vai da identificação de oportunidades ao escalonamento global. A meta não é criar uma versão “barata” de um produto existente, mas sim uma solução de “alto valor e baixo custo” que seja superior para todos. A ideia é olhar para problemas historicamente não resolvidos, como acesso à água, saúde e energia em comunidades de baixa renda, com um novo olhar.

O exemplo mais eloquente vem do próprio laboratório de Winter: uma nova tecnologia de irrigação por gotejamento. O sistema corta pela metade a energia de bombeamento, reduz o preço da irrigação movida a energia solar em 40% e usa menos plástico, além de ser líder na prevenção de entupimentos. O produto, que será comercializado pela gigante Toro a partir de 2027, não é apenas uma solução para agricultores em mercados com estresse hídrico, mas uma “ratoeira melhor” para qualquer agricultor no mundo, segundo Winter.

A proposta de “Global by Design” é um convite para que empresas repensem seus processos de P&D. A lição é que soluções para problemas complexos podem gerar não apenas impacto social, mas também produtos financeiramente viáveis e globalmente competitivos, transcendendo a velha fronteira entre mercados desenvolvidos e em desenvolvimento.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · MIT News