Em Brasília, o poder por vezes se condensa em lugares inesperados. Nesta semana, ele não reside em um projeto de lei ou em um gabinete ministerial, mas nos gigabytes de um iPhone 17 Pro. O aparelho, pertencente a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tornou-se o epicentro de uma crise que tensiona o Supremo Tribunal Federal.

A anatomia da crise

O pedido do ministro Cristiano Zanin para acessar a íntegra dos dados do celular, apreendido na Operação Compliance Zero, é o mais recente capítulo. Segundo reportagem do InfoMoney, Zanin quer o material antes da sessão plenária de terça-feira, convocada para discutir o caso. O movimento ecoa uma solicitação similar de Alexandre de Moraes, que deseja que os pares analisem não apenas as mensagens que lhe são atribuídas, mas também relatórios da Polícia Federal que questionam a condução do caso pelo ministro-relator, André Mendonça.

O jogo da transparência

A intervenção de Zanin, o membro mais novo da Corte, pode ser lida de múltiplas formas. É um apelo por transparência total, uma tentativa de atuar como mediador em uma disputa que opõe Moraes e Mendonça, ou uma manobra para se posicionar em um tabuleiro complexo? O fato é que a disputa deixou de ser sobre as investigações do Banco Master e passou a ser sobre a própria coesão e os procedimentos internos do STF. A sessão de terça-feira não julgará apenas um recurso, mas a capacidade da Corte de gerir seus conflitos.

Ao trazer o conteúdo bruto do celular de Vorcaro para o centro do debate, os ministros transformam o plenário em uma arena de escrutínio mútuo. A questão que paira sobre a Praça dos Três Poderes não é apenas o que as mensagens revelam sobre um banqueiro, mas o que a reação a elas revela sobre os guardiões da Constituição.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney