Num mercado de luxo que dá sinais de arrefecimento, a Chanel pisa no acelerador. A maison francesa, de capital fechado, viu suas vendas crescerem cerca de 16% no primeiro semestre, um desempenho que destoa da moderação vista em gigantes como LVMH e Hermès. A informação, originalmente apurada pela Bloomberg, indica uma performance robusta em todas as categorias e geografias.
O resultado não é fortuito. A leitura é que, enquanto o setor como um todo se ajusta a um cenário macroeconômico mais complexo, a Chanel colhe os frutos de uma aposta certeira em produto e direção criativa, um lembrete de que a força da marca, por si só, não é suficiente para sustentar o crescimento de dois dígitos.
A aposta no produto
O principal motor do crescimento foi a divisão de moda, que avançou em linha com o resultado geral do grupo, impulsionada pelas novas coleções do estilista Matthieu Blazy, que chegaram às lojas em março. O desempenho contrasta com o crescimento de apenas 1% na principal divisão da LVMH, que inclui a Louis Vuitton. A Chanel também viu sua unidade de relógios e joias finas disparar 35%, alavancada pela popular linha Coco Crush, e as vendas nos EUA saltarem mais de 25%.
O movimento sugere que a Chanel está ganhando participação de mercado de seus pares. Analistas do Kepler Cheuvreux, citados na reportagem, notaram que a notícia é "boa para o setor, mas mais difícil para os concorrentes", indicando que rivais como Hermès e Dior (do grupo LVMH) podem estar sentindo a pressão. A liderança da Chanel no índice Lyst, que mede as marcas mais desejadas, reforça essa percepção de momento cultural favorável.
Como uma empresa controlada pela família Wertheimer, a Chanel opera com uma liberdade estratégica que suas concorrentes de capital aberto não possuem. O foco em ciclos de produto de longo prazo, em vez de metas trimestrais, parece estar rendendo dividendos. A questão que fica é se LVMH e outros conglomerados conseguirão reajustar suas máquinas para competir não apenas em escala, mas em criatividade e desejo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





