O turismo de experiência deixou de ser um nicho para se tornar o motor dos planos de viagem na América Latina. Um novo estudo conduzido pelas consultorias Arival e Phocuswright, em parceria com a plataforma de atividades Civitatis, mapeou o comportamento de 1.200 viajantes de lazer do Brasil, México e Argentina, revelando um perfil de consumo focado em atividades, passeios e atrações.
Segundo a reportagem da Forbes España, os dados mostram que 96% dos latino-americanos visitaram ao menos uma atração na sua última viagem, e 87% fizeram um tour guiado. A leitura é que o deslocamento, por si só, já não basta. O viajante da região, em especial o brasileiro, busca uma imersão programada no destino, um comportamento que redefine a cadeia de valor do setor, de operadoras a travel techs.
Família, atividades e menos improviso
O principal catalisador dessa tendência é a viagem em família. O estudo aponta que 45% dos latino-americanos viajaram com crianças no último ano, um índice notavelmente superior aos 34% registrados nos Estados Unidos e 33% na Europa. Em contrapartida, a viagem solo é menos comum na região (9%) do que nos mercados desenvolvidos. Essa dinâmica familiar explica a busca por roteiros estruturados, onde atividades e passeios garantem o engajamento de diferentes faixas etárias.
Interessante notar que, embora os viajantes mais jovens (18 a 34 anos) sejam os que mais reservam e gastam com experiências, seu gosto ainda é mais conservador que o de seus pares americanos e europeus. Enquanto no hemisfério norte a busca é por vivências de nicho e imersivas, na América Latina os passeios culturais e monumentos históricos continuam dominando a preferência, mesmo entre a Geração Z e os millennials.
Brasil no volume, México no valor
O estudo também segmenta as particularidades de cada mercado. O Brasil se destaca como o líder em volume, com seus turistas reservando o maior número de experiências por viagem. O México, por sua vez, lidera em valor, com o maior gasto médio por atividade: US$ 116 por pessoa. A Argentina exibe alta participação, mas com um gasto 60% inferior ao mexicano, refletindo um cenário de maior sensibilidade a preço.
Outro ponto de destaque é a adoção de tecnologia. Cerca de 70% dos entrevistados afirmaram usar ferramentas de inteligência artificial para planejar suas viagens, principalmente para inspiração e pesquisa. Contudo, a conversão ainda é um desafio: apenas 12% usam IA para efetuar uma reserva. A confiança, por ora, não é algorítmica. A recomendação de amigos e familiares (77%) e as avaliações de outros viajantes (67%) continuam sendo os fatores decisivos.
As perspectivas de demanda, apesar da alta de custos, permanecem otimistas na região. O desafio para as empresas do setor não é gerar interesse, mas sim construir a ponte de confiança entre a descoberta, cada vez mais digital, e a decisão de compra, que permanece profundamente humana e social.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





