O Telescópio Espacial James Webb (JWST) está forçando os astrônomos a refazerem as contas sobre a infância do universo. Um novo estudo revela que as primeiras galáxias eram significativamente mais massivas do que se imaginava, graças a uma população de estrelas pequenas e de baixa luminosidade que até agora permanecia invisível.
A descoberta, detalhada em uma publicação na revista Nature Astronomy, desafia um pilar da cosmologia: a ideia de que a proporção de estrelas de diferentes massas se manteve constante ao longo da história cósmica. A leitura é que os modelos sobre como as primeiras estruturas do universo se formaram podem precisar de uma revisão fundamental.
Recalibrando o censo cósmico
Até agora, a luz que recebemos de galáxias distantes era dominada pelo brilho de suas estrelas mais massivas e luminosas — como arranha-céus ofuscando edifícios menores em uma metrópole vista à distância. As estrelas menores, embora numerosas, simplesmente não apareciam na foto.
Utilizando a sensibilidade sem precedentes do James Webb, combinada com dados do Very Large Telescope (VLT) no Chile, uma equipe de astrônomos da Universidade de Leiden conseguiu, pela primeira vez, isolar a assinatura espectral dessas estrelas "anãs" em nove galáxias primitivas. O que encontraram foi uma proporção de estrelas pequenas muito superior à existente em galáxias modernas, como a nossa Via Láctea.
Um universo mais denso e complexo
As implicações são profundas. Em um dos casos analisados, a massa total da galáxia foi reestimada em até quatro vezes o valor anterior. Se esse padrão se repetir, significa que muito mais matéria estava "escondida" em estrelas de baixa massa do que os modelos previam.
Isso não altera apenas o entendimento sobre a formação e evolução das próprias galáxias. Como muitas estrelas pequenas são orbitadas por planetas, a descoberta sugere que o universo primitivo pode ter sido um lugar muito mais propício à formação de planetas do que se supunha, segundo os pesquisadores.
A equipe agora pretende aplicar a mesma técnica a galáxias ainda mais antigas, buscando se aproximar do "amanhecer cósmico". Cada nova imagem do James Webb parece não apenas responder a perguntas antigas, mas principalmente apresentar novas que redefinem as fronteiras do conhecido.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Space.com





