Em uma análise sobre o setor bancário na América Latina, o Bank of America (BofA) traçou um cenário de otimismo seletivo para o Brasil, elegendo Itaú e Bradesco como suas apostas no país, mas recomendando distância das ações do Banco do Brasil. A avaliação, que considera um cenário de juros em queda e múltiplos descontados, sugere que a escolha entre os gigantes financeiros brasileiros dependerá mais da execução individual do que de uma onda setorial.

A tese do BofA, detalhada em reportagem do Money Times, parte de uma premissa macroeconômica favorável: a expectativa de cortes na taxa Selic e o fato de que os bancos brasileiros, junto aos mexicanos, negociam com os múltiplos de preço sobre lucro (P/L) mais baixos da região. Adiciona-se a isso um rendimento de dividendos estimado em 7%, um dos mais altos do continente, criando um pano de fundo atraente para o investidor.

A dupla de preferidos

Dentro desse contexto, a escolha por Itaú e Bradesco se baseia em fundamentos distintos. O Itaú é visto como a aposta na consistência, elogiado por sua “rentabilidade, balanço sólido e excelência na execução”. Trata-se de uma visão que privilegia a qualidade e a previsibilidade, recompensando um histórico de entregas consistentes.

Já o Bradesco entra na recomendação como uma aposta na recuperação. O BofA o considera “atraente” pelo seu potencial de virada e por um perfil de risco-retorno favorável. A leitura é que, após um período de resultados pressionados, o preço atual da ação oferece uma margem de segurança interessante para capturar uma eventual melhora operacional.

A pedra no sapato estatal

O ceticismo do Bank of America se concentra integralmente no Banco do Brasil. A recomendação de venda para o papel, com preço-alvo de R$ 20, reflete uma preocupação central com a qualidade dos ativos da instituição. Segundo os analistas, a deterioração já não está mais restrita ao crédito rural, sinalizando um desafio mais amplo para a carteira do banco.

A desconfiança é tamanha que o BofA projeta um lucro de R$ 17,6 bilhões para o BB em 2026, valor que fica abaixo do piso da própria projeção da companhia (de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões). A justificativa para o pessimismo reside na necessidade de maiores despesas com provisionamento para perdas, o que deve comprimir os resultados futuros.

O relatório do BofA, portanto, não é uma aposta cega no setor bancário brasileiro. É um mapa que distingue entre a segurança da execução, o potencial da recuperação e o risco da deterioração de ativos. Para o investidor, a mensagem é clara: mesmo com ventos favoráveis, a diligência na escolha dos papéis permanece fundamental.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados