Uma nova pesquisa AtlasIntel, encomendada pela Bloomberg e divulgada nesta quinta-feira, acendeu um sinal de alerta para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela primeira vez em meses, o petista aparece numericamente atrás de dois potenciais adversários em cenários de segundo turno para 2026, indicando uma disputa mais acirrada do que se previa.

Em uma simulação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula tem 46,2% das intenções de voto contra 46,4% do filho do ex-presidente. Contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o placar é de 46% para Lula e 46,2% para Zema. Embora os resultados configurem empate técnico dentro da margem de erro de um ponto percentual, a tendência de queda para o presidente e de alta para seus oponentes redesenha o mapa político a dois anos do pleito.

A erosão da liderança

O ponto central da análise não é a fotografia do momento, mas a trajetória dos candidatos. Em pouco mais de um mês, a vantagem de 4,5 pontos que Lula detinha sobre Flávio Bolsonaro evaporou. Enquanto o presidente oscilou negativamente, o senador do PL cresceu quase quatro pontos percentuais, consolidando-se como o principal nome do campo bolsonarista na ausência de seu pai, inelegível.

Este movimento sugere que o capital político da família Bolsonaro permanece resiliente e com capacidade de transferência. Para Lula, o desafio é duplo: conter a sangria em sua base e, ao mesmo tempo, frear o crescimento de um adversário que capitaliza sobre a alta rejeição ao governo. Segundo o mesmo levantamento, a desaprovação da gestão petista atinge 53,8%, um terreno fértil para a oposição.

A terceira via e o teto da rejeição

O desempenho de Romeu Zema é igualmente notável. Ao também superar Lula numericamente, o governador mineiro demonstra que o sentimento anti-petista não é monopólio do bolsonarismo. Ele se posiciona como uma alternativa de direita mais ao centro, capaz de atrair um eleitorado que rejeita os dois polos da polarização. A leitura é que o campo da direita possui mais de um caminho competitivo para 2026.

A métrica de rejeição é crucial para entender a dinâmica de segundo turno. Com 52,5%, a rejeição de Lula é ligeiramente superior à de Flávio Bolsonaro (49,6%). Esse dado funciona como um teto para o potencial de crescimento de cada candidato, indicando que a eleição tende a ser decidida, mais uma vez, pelo voto no "menos pior".

Ainda que Lula mantenha a liderança no primeiro turno com 43%, a distância para Flávio Bolsonaro (37,4%) encurtou. O cenário atual força o Palácio do Planalto a recalibrar sua estratégia. A reeleição, que parecia um caminho provável, agora se desenha como uma batalha incerta, cujo resultado dependerá da capacidade do governo de reverter a percepção negativa e da habilidade da oposição em unificar seu discurso.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times