Uma estrutura de 2.500 anos, que se acredita ter funcionado como um observatório solar, foi recentemente descoberta nas montanhas da Sierra Norte de Puebla, México. A descoberta, anunciada pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), faz parte do sítio arqueológico pré-hispânico Teteles de Ávila Castillo e tem sido objeto de escavação desde 2015. Alberto Diez Barroso Repizo, diretor do projeto arqueológico em Teteles, indicou que o local floresceu durante o Período Pré-Clássico Médio (900 a.C. a 600 a.C.) e entrou em declínio por volta de 100 d.C., possivelmente devido à expansão da vizinha Cantona.
A arquitetura do observatório sugere um conhecimento sofisticado de astronomia por parte de seus construtores. Pesquisadores apontam que a base leste do complexo funciona como um calendário solar, com a trajetória do sol alinhando-se com a frente da estrutura durante os equinócios e solstícios. Além disso, a presença de contas de obsidiana verde, um material controlado por Teotihuacan, sugere que Teteles estava conectada a essa metrópole e posicionada em uma rota comercial importante. A descoberta expande a compreensão do passado histórico do México, revelando sociedades que integraram o conhecimento astronômico à organização de seus espaços cerimoniais.
Conhecimento e Organização Social
A descoberta em Teteles de Ávila Castillo lança luz sobre a complexidade das civilizações mesoamericanas, especialmente no que diz respeito à sua compreensão dos ciclos celestes. A capacidade de projetar e construir uma estrutura com finalidade astronômica demonstra um nível avançado de observação e cálculo. O alinhamento preciso com eventos astronômicos chave, como o início do calendário mesoamericano em fevereiro e a época de colheita em outubro, sublinha a importância desses ciclos para a organização social, agrícola e religiosa dessas culturas antigas. Acredita-se que o conhecimento astronômico não era apenas uma disciplina acadêmica, mas um componente fundamental na estrutura da vida cotidiana e cerimonial.
Um Legado a Ser Revelado
O sítio de Teteles de Ávila Castillo, embora ainda em processo de estudo, já demonstra seu potencial para reescrever partes da história pré-hispânica da região. A conexão com Teotihuacan, inferida pela obsidiana, sugere redes de comércio e influência cultural mais extensas do que se imaginava anteriormente para o Período Pré-Clássico. O INAH planeja abrir o local ao público e, futuramente, um museu, permitindo que mais pessoas apreciem e aprendam sobre este legado. Claudia Curiel de Icaza, Secretária de Cultura do México, destacou que tais descobertas são cruciais para aprofundar a compreensão da própria identidade e história do país, conectando o presente com as raízes profundas de suas civilizações ancestrais.
Implicações Arqueológicas e Históricas
Esta descoberta tem implicações significativas para o campo da arqueologia mesoamericana. Ela reforça a ideia de que o conhecimento astronômico era uma característica comum e vital em diversas culturas da região, e não restrito a poucos centros de poder. A análise da arquitetura e do posicionamento do observatório pode fornecer novos dados sobre as práticas rituais, a organização do trabalho e a cosmovisão das populações que habitaram Teteles. A escavação contínua e a futura abertura do sítio ao público prometem enriquecer ainda mais o panorama do patrimônio cultural mexicano, incentivando novas pesquisas e debates sobre a complexidade das sociedades antigas.
O Que Vem a Seguir
O trabalho em Teteles de Ávila Castillo está longe de terminar. A pesquisa futura provavelmente se concentrará em desvendar mais detalhes sobre o cotidiano dos seus habitantes, a extensão de suas rotas comerciais e as razões exatas de seu declínio. A análise comparativa com outros sítios arqueológicos na Sierra Norte e em outras regiões mesoamericanas será fundamental para contextualizar plenamente a importância deste observatório. A expectativa é que novas descobertas possam aprofundar nossa compreensão sobre como o conhecimento astronômico moldou as sociedades antigas e como elas se relacionavam com o cosmos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





