A OpenAI, criadora do ChatGPT, projeta que seu nascente negócio de publicidade digital pode gerar US$ 100 bilhões em receita até 2030. Uma nova análise da consultoria Emarketer, contudo, joga um balde de água fria nessa ambição: a previsão é que todo o mercado de anúncios em chatbots nos Estados Unidos movimente apenas US$ 5,41 bilhões no mesmo ano.

O abismo entre os números, reportado pelo Search Engine Land, não é apenas uma diferença de cálculo. Ele expõe um choque fundamental de visões sobre o futuro da publicidade na era da inteligência artificial. A questão central é se os anúncios em interfaces de conversação se tornarão o próximo grande pilar da publicidade digital ou apenas um nicho de mercado.

O Otimismo da Disrupção

A projeção da OpenAI, que começou a testar anúncios em fevereiro, assume um cenário de disrupção total. A aposta é que a empresa não apenas criará um novo formato de anúncio, mas que conseguirá capturar uma fatia massiva dos orçamentos hoje destinados à busca, um território dominado pelo Google. Para a meta de US$ 100 bilhões se concretizar, o ChatGPT teria que, sozinho, superar o tamanho de mercados de publicidade consolidados em tempo recorde.

Em contrapartida, a análise da Emarketer é mais sóbria e incremental. A firma mede um mercado nascente de chatbots autônomos, que inclui não apenas o ChatGPT, mas também concorrentes como o Copilot da Microsoft, o AI Mode do Google e a Alexa da Amazon. A projeção de US$ 5,41 bilhões para todo o setor até 2030 sugere um crescimento consistente, mas longe da explosão prevista pela OpenAI.

Um Novo Formato ou um Novo Mercado?

O debate se resume a uma questão fundamental para anunciantes e plataformas: a publicidade em IA é um novo formato dentro do ecossistema existente ou um mercado inteiramente novo? A visão da OpenAI sustenta o segundo argumento, apostando que a interação conversacional mudará fundamentalmente como consumidores descobrem e compram produtos, justificando uma realocação massiva de verbas.

A realidade, por enquanto, parece mais próxima do cenário da Emarketer. Anúncios em chatbots ainda são uma pequena fração do investimento digital, e o comportamento do usuário em relação a eles é uma incógnita. A discrepância nas projeções serve como um lembrete de quão incipiente e volátil é o campo da monetização de IA generativa.

A aposta da OpenAI é, em última instância, em sua própria capacidade de redefinir as regras do jogo. Se o sonho de US$ 100 bilhões parece distante hoje, é porque ele depende de uma mudança de paradigma que ainda não aconteceu — e que a própria empresa terá que forçar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Search Engine Land