A OpenAI apresentou seus "dots" no mês passado como agentes "sempre ativos" rodando em sua própria nuvem. Contudo, a promessa parece estar à frente da realidade tecnológica e da experiência do usuário. Relatos de falhas em tarefas, problemas de conexão, desaparecimento de "dots" e recusas ligadas à prevenção de abusos têm surgido em fóruns e entre usuários, levantando dúvidas sobre a maturidade da tecnologia. A ABI Research, por sua vez, aponta que agentes "sempre ativos" (AI claws) moldarão a adoção de IA em empresas, migrando de assistentes isolados para ecossistemas modulares de automação de longa duração.

Imitadores open source ganham tração

Em meio às dificuldades técnicas e ao ceticismo de parte da comunidade, que questiona o propósito dos "dots" e especula sobre uma corrida para responder a lançamentos como Meta Muse e Grok Bot, alternativas open source começam a surgir. A Tawkit, desenvolvedora do SDK CopilotKit, lançou o OpenDots. Este projeto se apresenta como um template auto-hospedado que oferece a mesma funcionalidade dos "dots" da OpenAI, mas com a liberdade de usar qualquer modelo compatível com a API da OpenAI e personalizar a interface. Baseado na experiência prévia da empresa com projetos como OpenMuse e OpenBot, a arquitetura separa a interface do usuário, a camada de agente e o backend. Embora o custo com tokens ainda se aplique, a abordagem permite que a fatura não passe necessariamente pela OpenAI, dependendo do modelo de linguagem utilizado.

Open Dot: A alternativa local e integrada

Outra opção, batizada confusamente de Open Dot, foca em rodar localmente e integrar-se a múltiplos provedores de modelos. Operando sobre modelos de IA via OpenRouter, promete um custo potencialmente menor. Sendo open source, seu código pode ser adaptado para rodar em um Mac local, utilizando tanto chaves da OpenAI quanto modelos abertos como Kimi, DeepSeek e Qwen. A integração com aplicativos populares como Gmail, Calendar, Slack, Notion e GitHub é gerenciada pela plataforma Composio.

O futuro dos agentes persistentes

Prathit Joshi, criador do Open Dot e growth engineer na Composio, baseada em Bangalore, Índia, expressou seu interesse em construir ferramentas para desenvolvedores. Ele foca especialmente naquelas que suportam casos de uso que empresas de modelos fechados podem não ter incentivo para desenvolver, como o uso de modelos open source. Joshi utiliza seu próprio Open Dot para gerenciar tarefas pessoais, como listas de afazeres baseadas em mensagens do Slack e resumos de posts em redes sociais. O projeto é baseado no framework Electron, visando ser um aplicativo desktop.

A proliferação de "dots" da OpenAI, OpenDots e Open Dot pode gerar confusão, mas reflete uma tendência de mercado. Empresas buscam encapsular modelos cada vez mais comoditizados em camadas de controle para construir negócios sustentáveis. Em uma linha similar, Elon Musk anunciou que o Grok Bot se tornará um roteador de modelos, utilizando o melhor backend disponível para cada tarefa, incluindo APIs de terceiros como Claude Opus 5.5, MidJourney e Suno, priorizando o melhor resultado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Register