A OpenFX, fintech americana que se destaca no processamento de pagamentos internacionais por meio de stablecoins, intensifica sua estratégia de expansão na América Latina com um movimento duplo: a criação de um braço de Corporate Venture Capital (CVC) e o estabelecimento de uma operação própria no Brasil. A empresa, que já atende mais de 100 fintechs e movimenta cerca de US$ 80 bilhões em volume anualizado, busca agora impulsionar o ecossistema de inovação financeira através de investimentos e de uma presença mais robusta no mercado brasileiro.

Expansão com Foco em Inovação

O braço de CVC, batizado de OpenFX Ventures, já opera em modo furtivo há meses e anuncia seu portfólio com cerca de 16 empresas globalmente, incluindo startups latino-americanas. Segundo Catherine Kaupert, diretora da OpenFX para a América Latina, o objetivo é ganhar escala e atrair mais oportunidades de negócio (deal flow). O foco recai sobre startups em estágio inicial (pré-seed a seed) que atuam na infraestrutura de pagamentos transfronteiriços, com atuação na América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia-Pacífico. A tese de investimento da OpenFX Ventures se divide em quatro pilares: ferramentas de pagamento com inteligência artificial, infraestrutura para mercados de crédito e capitais, aplicações financeiras de nova geração e infraestrutura de roteamento e compensação. Além do capital, as empresas investidas terão acesso direto aos mercados da OpenFX e a novos produtos em primeira mão.

O Timing e a Tese de Investimento

Prabhakar Reddy, fundador e CEO da OpenFX, destaca que o momento atual do mercado de captação, mais desafiador para empresas que buscam modernizar o sistema financeiro global, torna a iniciativa ainda mais relevante. A maior parte do fluxo financeiro mundial ainda opera em sistemas legados, anteriores à era da internet, e as companhias que promovem essa modernização enfrentam dificuldades crescentes para levantar recursos. A OpenFX Ventures busca justamente preencher essa lacuna, investindo em negócios que sejam complementares à sua proposta de valor e que possam se beneficiar de sua infraestrutura existente. A fintech mexicana Jeeves, que recentemente levantou US$ 110 milhões com participação da OpenFX, exemplifica essa tese. A Jeeves evoluiu de uma fintech de cartões corporativos para uma plataforma bancária nativa em stablecoins, triplicando seu volume anualizado para US$ 5 bilhões e alcançando US$ 1,5 bilhão em volume de stablecoins em oito meses. Parte significativa desse fluxo passa pela infraestrutura da OpenFX, demonstrando a sinergia entre as operações.

O Brasil como Mercado Estratégico

O Brasil emerge como um mercado prioritário para a OpenFX. Embora a empresa já opere no país há cerca de um ano e meio, inicialmente por meio de parcerias com provedores de liquidez e bancos locais, a estratégia agora é consolidar uma operação própria. A OpenFX abriu uma entidade brasileira e solicitou ao Banco Central autorização para atuar como Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV), seguindo as novas regulamentações que equiparam pagamentos internacionais com ativos virtuais a operações de câmbio. Essa decisão reflete o alto potencial e as expectativas da empresa para o mercado brasileiro. A estrutura local está em formação, com contratações em andamento para as áreas de compliance e risco, além da preparação de um escritório em São Paulo e a expectativa de um country manager em breve. A empresa vê oportunidades em importadores, exportadores, investidores estrangeiros e famílias que enviam recursos para estudantes no exterior, visando oferecer uma alternativa de pagamentos transfronteiriços mais eficiente e rápida, em contraste com a experiência instantânea do Pix que ainda não se estende além das fronteiras nacionais.

Olhando para o Futuro

A OpenFX busca replicar o sucesso de sua operação em outros mercados latino-americanos, como México, Colômbia e Argentina, posicionando o Brasil como um futuro mercado principal na região. A visão da empresa, de "fazer o dinheiro se mover como dados", aponta para um futuro onde as transações financeiras globais se tornem cada vez mais fluidas, rápidas e acessíveis. A expansão no Brasil, aliada ao braço de CVC, sinaliza um compromisso de longo prazo com o ecossistema financeiro local e regional, buscando não apenas processar transações, mas também fomentar o desenvolvimento de novas soluções que moldarão o futuro dos pagamentos internacionais.

Com reportagem de Brazil Valley

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