A startup Optimly, sediada em Seattle, fechou uma rodada pre-seed de US$ 800 mil, liderada por investidores como a AI House, para resolver um problema crescente para as marcas: a forma como os modelos de linguagem (LLMs) interpretam e descrevem seus negócios. A empresa desenvolveu um índice público onde marcas podem reivindicar seus perfis e corrigir dados que chatbots utilizam para responder a usuários. O aporte ocorre após a companhia se destacar na Flywheel Investment Conference, onde conquistou investimentos e prêmios.

Segundo reportagem do GeekWire, a fundadora e CEO Apurva Luty identificou que os modelos de IA não aprendem sobre marcas apenas através de seus sites oficiais. Em vez disso, os sistemas sintetizam informações fragmentadas de fontes como Wikipedia, Reddit e avaliações online. Para as empresas, esse processo cria uma narrativa descontrolada, onde a percepção da marca é moldada por dados de terceiros, muitas vezes imprecisos ou desatualizados.

O novo desafio da otimização de motores de resposta

A proposta da Optimly insere-se no campo emergente conhecido como AEO (Answer Engine Optimization) ou GEO (Generative Engine Optimization). Diferente do SEO tradicional, que busca ranquear links em motores de busca, o AEO foca em como a IA processa fatos para fornecer uma resposta direta ao usuário. A abordagem de Luty é estruturada em dois níveis: o AI Brand Index, uma camada pública e gratuita, e o BrandVault, um serviço pago.

O índice público já catalogou cerca de 60 mil marcas, com mais de 24 mil perfis ativos. A premissa é simples: fornecer uma descrição factual e estruturada que os agentes de IA consigam processar facilmente. Ao verificar a propriedade da marca no BrandVault, a empresa pode substituir textos de marketing complexos por descrições objetivas, otimizadas para a leitura por máquinas, garantindo que o chatbot entregue a informação correta ao consumidor.

Mecanismos de controle e automação

O funcionamento da ferramenta baseia-se na observação de como os grandes modelos de IA interagem com o índice da Optimly. A empresa notou que bots de gigantes como OpenAI e Anthropic realizam milhares de requisições semanais ao seu diretório. Ao oferecer um ponto de verdade centralizado, a startup atua como um tradutor entre a intenção da marca e o entendimento do modelo de linguagem, reduzindo a dependência de fontes secundárias.

O modelo de negócio é baseado em assinaturas mensais, variando de US$ 100 a US$ 799. O objetivo de Luty é transitar de um modelo de relatórios para um de resultados mensuráveis. A startup está investindo em testes A/B para provar que uma correção específica no perfil da marca altera efetivamente a resposta gerada pelo chatbot, criando uma métrica clara de eficácia para os clientes corporativos.

Implicações para o ecossistema de marcas

A ascensão de startups como a Optimly sinaliza uma mudança na forma como as empresas gerenciam sua reputação digital. Reguladores e profissionais de marketing observam com atenção se a centralização dessas informações em índices privados ou semi-públicos será a norma ou se haverá uma fragmentação entre os índices proprietários das big techs. Para o mercado brasileiro, a tendência aponta para a necessidade de ferramentas que integrem dados locais em um ecossistema de IA cada vez mais globalizado.

Concorrentes do setor de AEO continuam focados em estratégias de publicação de conteúdo, mas a Optimly aposta na correção direta da fonte de dados. A tensão entre o controle da marca e a autonomia da IA deve se intensificar à medida que mais consumidores substituem as buscas tradicionais por interações com agentes inteligentes.

Perspectivas e incertezas

O futuro da Optimly depende da capacidade de tornar os resultados de suas correções consistentes e auditáveis. A incerteza reside em como as empresas de IA ajustarão seus algoritmos de treinamento e se elas permitirão que índices terceiros tenham um peso significativo em suas respostas finais. A observação de mercado deve focar na adesão das marcas e na resposta das gigantes de tecnologia.

O caminho para a escala exigirá o fortalecimento da equipe técnica e a prova de que o modelo de governança de dados da startup é sustentável a longo prazo. A tecnologia de IA generativa evolui rápido, e a relevância da Optimly estará atrelada à sua velocidade de adaptação às mudanças nas arquiteturas dos modelos de linguagem que ditam a nova interface de busca.

O sucesso da startup reforça que a gestão da identidade digital deixou de ser uma questão de design ou SEO tradicional para se tornar um desafio de engenharia de dados e alinhamento de IA. O mercado aguarda para ver se esse índice público se tornará o padrão de mercado para a veracidade das marcas no mundo dos chatbots.

Com reportagem do GeekWire

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