O Palacio de Congresos de Valencia (PCV) deu um passo decisivo em direção à digitalização plena de suas operações ao implementar um projeto de integração e governança de dados liderado pela Orange. A iniciativa, financiada por fundos da União Europeia via Next Generation EU, transforma o recinto em um caso de estudo sobre como infraestruturas urbanas podem converter informações dispersas em ativos estratégicos para a gestão cotidiana.
Segundo reportagem da Forbes España, o projeto centraliza fontes de dados que antes operavam de forma isolada, como sistemas de sensoriamento, plataformas de gerenciamento predial (BMS), CRM e o próprio Gemelo Digital do edifício. A proposta é eliminar a redundância e garantir que a tomada de decisão seja fundamentada em uma base unificada e confiável.
A arquitetura da integração de dados
O núcleo da transformação no PCV é a implementação de um 'data pool', uma solução escalável que automatiza a ingestão e o governo da informação. Ao invés de manter sistemas de TI que exigem integrações customizadas e caras para cada nova aplicação, a nova arquitetura permite que diferentes equipes acessem os dados de maneira transparente. Isso facilita o rastreamento do ciclo de vida da informação e assegura a integridade necessária para operações complexas.
Essa abordagem reflete uma tendência crescente em grandes infraestruturas urbanas: a transição de um modelo de 'silos de dados' para ecossistemas integrados. A utilização de tecnologias de código aberto, conforme implementado pela Orange, permite que o recinto mantenha flexibilidade para integrar futuras inovações sem ficar preso a fornecedores específicos, um ponto crítico para a longevidade tecnológica de espaços públicos.
Eficiência operacional e sustentabilidade
Um dos pilares mais relevantes deste projeto é a colaboração com a Universitat Politècnica de València para a medição da pegada de carbono do Palácio. Em um cenário onde grandes centros de eventos precisam comprovar credenciais de sustentabilidade para atrair conferências internacionais, a capacidade de monitorar o consumo energético e o impacto ambiental em tempo real torna-se um diferencial competitivo essencial.
Além disso, a infraestrutura de conectividade fornecida pela operadora, que inclui a rede 5G Advanced com latências ultrabaixas, fornece a base necessária para que essas aplicações de IA e sensores funcionem sem gargalos. A otimização dos recursos do prédio, desde o controle de iluminação até o fluxo de pessoas, é diretamente beneficiada por essa camada de inteligência digital.
Implicações para o ecossistema de cidades inteligentes
O movimento da Orange em Valência sinaliza um reposicionamento estratégico da empresa como um provedor de soluções completas para o setor público. Ao atuar como um facilitador tecnológico em infraestruturas densas, a operadora deixa de ser apenas uma fornecedora de conectividade para se tornar um parceiro de governança urbana, algo que pode ser replicado em outros centros de convenções e espaços públicos na Europa e além.
Para os gestores de grandes infraestruturas, a lição aqui é que a digitalização não se resume à compra de novos sensores, mas à capacidade de integrar o que já existe. A interoperabilidade entre sistemas de gestão predial e ferramentas de análise de dados é o que realmente permite a economia de custos operacionais e a melhoria da experiência do usuário final.
O futuro da gestão de infraestruturas
Embora o projeto no PCV apresente resultados promissores, o desafio de longo prazo reside na manutenção da governança à medida que novos sistemas forem adicionados. A escalabilidade da solução será testada conforme a demanda por dados em tempo real aumentar, especialmente com a antecipação de tecnologias como o 6G.
O que se observa é uma mudança cultural na forma como edifícios são geridos. A transição de uma gestão reativa para uma baseada em dados preditivos exige não apenas tecnologia, mas uma mudança na estrutura organizacional dos operadores dessas infraestruturas. O sucesso desta implementação em Valência servirá como uma métrica importante para avaliar a viabilidade de modelos similares em outros contextos urbanos globais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





