A startup de manufatura espacial Orbital Matter anunciou uma parceria com a EnduroSat para uma missão em 2028 focada na impressão 3D de grandes estruturas no espaço. O objetivo é validar um novo método para construir painéis solares de 5 kW em órbita, dispensando a necessidade de dobrar e encaixar arrays volumosos em veículos de lançamento. Em vez disso, as empresas planejam imprimir estruturas de suporte diretamente no espaço, facilitando a implantação de painéis solares de grande porte.
O CEO da Orbital Matter, Jakub Stojek, destacou que a abordagem atual de design de naves espaciais é primariamente voltada para o lançamento, e não para as operações em órbita. Esta nova tecnologia visa mudar esse paradigma, permitindo a criação de infraestruturas mais adequadas ao ambiente espacial.
Impressão 3D em Vácuo Espacial
A missão de 2028 é um passo ambicioso, mas é baseada nos sucessos recentes da Orbital Matter. A empresa divulgou os resultados de sua segunda missão de demonstração, a Replicator 2, lançada em julho a bordo de um foguete SpaceX Transporter-17. Utilizando um módulo de serviço da EnduroSat, a Replicator 2 testou pela primeira vez a capacidade da Orbital Matter de imprimir estruturas no vácuo espacial. A missão carregava quatro impressoras da Orbital Matter, equipadas com material líquido que era depositado em um cilindro giratório e endurecido por luz UV. Durante o processo, o material impresso empurrava e sustentava um painel solar de silício.
Embora a primeira tentativa de impressão em agosto tenha falhado em criar uma estrutura totalmente coesa, com lacunas entre as camadas, a Orbital Matter dedicou dois meses a testes em Terra. Atualizações de firmware na Replicator 2 permitiram a impressão de uma segunda estrutura, totalmente aderida e com 32,5 cm de comprimento. Posteriormente, a Replicator 2 conseguiu implantar parcialmente um painel solar ao longo deste braço rígido fabricado no espaço.
O Mercado de Data Centers Orbitais
A missão de 2028 com a EnduroSat visa suportar um painel solar de 5 kW, com cerca de 5 metros de comprimento, utilizando braços rígidos fabricados no espaço pelas impressoras da Orbital Matter. Este projeto está direcionado especificamente para o emergente mercado de data centers orbitais. Este setor depende da capacidade dos operadores de satélites de gerar grandes quantidades de energia no espaço de forma econômica.
Victor Danchev, CTO da EnduroSat, enfatizou a necessidade de centenas de quilowatts por satélite para data centers orbitais e computação de IA no espaço. A fabricação da estrutura do array em órbita, segundo ele, abre um novo leque de possibilidades além das limitações das estruturas desdobráveis atuais. Ele prevê que esta parceria escalará para arrays de mais de 100 kW nos próximos anos, a uma fração do custo atual por watt.
Visão de Longo Prazo e Expansão
A Orbital Matter não pretende limitar seu desenvolvimento aos painéis solares de 5 kW. A empresa almeja convencer clientes de que sua tecnologia pode suportar missões de maior escala no futuro. Embora o foco atual seja em braços para painéis solares, o plano de longo prazo é adaptar a tecnologia para imprimir outras grandes estruturas no espaço, incluindo infraestrutura para missões lunares e marcianas.
Para sustentar essa expansão, a Orbital Matter está em processo de captação de recursos. O financiamento será utilizado para aumentar a equipe, que atualmente conta com apenas sete pessoas, e para construir uma nova unidade de produção para fabricar mais impressoras para clientes futuros. A empresa busca consolidar sua posição como pioneira na manufatura aditiva espacial.
Perguntas em Aberto e o Futuro
A viabilidade comercial em larga escala da impressão 3D de estruturas espaciais ainda enfrenta desafios. A precisão e a durabilidade dos materiais impressos em condições extremas de vácuo e radiação precisam ser continuamente validadas. Além disso, a integração dessas estruturas com os sistemas de satélites existentes e a logística de lançamento de materiais para impressão no espaço são fatores críticos a serem considerados.
O sucesso da missão de 2028 será um indicador importante para o futuro da manufatura espacial. A capacidade de construir componentes grandes e complexos em órbita pode revolucionar a economia espacial, reduzindo custos de lançamento e abrindo caminho para novas arquiteturas de satélites e infraestruturas espaciais. O desenvolvimento contínuo e a validação em missões futuras definirão o alcance dessa tecnologia.
A colaboração entre a Orbital Matter e a EnduroSat representa um passo significativo na jornada para tornar a manufatura espacial uma realidade. A capacidade de criar estruturas de grande porte no espaço, como painéis solares, pode ser um divisor de águas para a exploração e a comercialização do espaço, abrindo portas para inovações antes inimagináveis.
Com reportagem de Brazil Valley
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