O Irã está formalizando o preço para a retomada do fluxo de energia global. Segundo autoridades do país, Teerã prepara uma lista de condições para reabrir o Estreito de Ormuz, a via marítima mais crítica para o transporte de petróleo e gás, após solicitação de mediadores. As exigências, comunicadas por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, são robustas: o fim da guerra regional, a suspensão de sanções impostas por Washington e compensações financeiras.

A Cartada Geográfica

A estratégia iraniana é um uso clássico de um ponto de estrangulamento geográfico como alavanca geopolítica. Antes do conflito iniciado em fevereiro, cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo passava por Ormuz. Com o tráfego praticamente paralisado desde então, Teerã transforma o controle do estreito em seu principal ativo de negociação. A informação de um acordo com Omã para criar um corredor de navegação, parcialmente em águas omanis, sugere um plano tático para gerenciar uma eventual reabertura, mas apenas sob seus termos.

A Conta para Washington

As demandas são um recado direto para os Estados Unidos. A Guarda Revolucionária do Irã foi explícita ao afirmar que a reabertura não ocorrerá sem que Washington suspenda o que Teerã descreve como um "bloqueio" a seus portos. O histórico de acordos de cessar-fogo fracassados, em abril e junho, demonstra a complexidade e a desconfiança mútua que permeiam o conflito. A reabertura de Ormuz deixou de ser uma questão puramente logística para se tornar uma peça central na negociação sobre o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

O movimento coloca os EUA e seus aliados diante de um dilema. Atender às exigências iranianas para normalizar o fluxo de energia significaria uma concessão estratégica de grande magnitude. Ignorá-las prolonga a asfixia em uma artéria vital da economia global. A questão que se impõe não é apenas quando o estreito será reaberto, mas qual será o custo político para fazê-lo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney