O contrato mais líquido do ouro fechou em queda nesta terça-feira, pressionado pela cautela antes de dados de inflação dos Estados Unidos e de novas indicações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre os juros. Sinais de fraqueza técnica também pesaram, apesar do alívio nos preços do petróleo e no dólar, além da procura por compras nas baixas.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para dezembro encerrou em queda de 0,32%, a US$ 4.177,30 por onça-troy. A prata para o mesmo mês recuou 1,63%, a US$ 59,525 por onça-troy.
Cautela pré-inflação e Fed
Investidores adotam uma postura de espera antes da divulgação de dados cruciais para a economia americana. O índice de preços ao consumidor (CPI) e os balanços de grandes bancos são aguardados com atenção, assim como discursos de dirigentes do Fed. A expectativa é de que essas informações ofereçam clareza sobre o futuro da política monetária. Juros mais altos tendem a reduzir a atratividade do ouro, um ativo que não oferece rendimento, tornando outras aplicações financeiras mais interessantes.
Incorporação de notícias e suportes técnicos
Analistas avaliam que boa parte das notícias negativas já pode estar incorporada aos preços do ouro, após uma queda de cerca de 5% no metal desde o início de setembro. A menor expectativa de alta dos juros em outubro, por exemplo, pode aliviar a pressão sobre o ativo. Um recuo sustentado dos rendimentos dos Treasuries — títulos da dívida americana — também favoreceria uma recuperação. No campo técnico, há sinais de perda de força compradora, com possibilidade de teste do suporte de US$ 4.150.
Fatores de suporte e perspectivas futuras
Apesar da pressão de baixa, alguns fatores deram suporte ao ouro durante o pregão, como a fraqueza do dólar, o recuo do petróleo e a valorização dos Treasuries. O banco Citi Research observa interesse em compras quando os preços recuam à faixa de US$ 4 mil. Em um cenário de desescalada de conflitos geopolíticos e reabertura de rotas comerciais, o banco prevê menor pressão do petróleo sobre os juros e mantém um alvo de US$ 4.800 por onça para até três meses, indicando uma perspectiva de valorização a médio prazo.
Perguntas em aberto
A trajetória futura do ouro dependerá significativamente da evolução dos dados de inflação e das decisões futuras do Federal Reserve. A capacidade do banco central em controlar a inflação sem desacelerar excessivamente a economia será crucial. Além disso, a dinâmica dos rendimentos dos Treasuries e a força do dólar continuarão a influenciar a atratividade do metal precioso como porto seguro. A evolução de tensões geopolíticas também pode adicionar volatilidade ao mercado.
O mercado de ouro navega em um mar de incertezas, onde dados econômicos e sinalizações de política monetária ditam o ritmo. A busca por clareza sobre os juros americanos e a inflação moldará as próximas movimentações do metal.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





