A inteligência artificial (IA) está a ser rapidamente integrada nas operações corporativas globais, mas a pressa em adotar soluções automatizadas tem levado muitas empresas a negligenciar os impactos na qualidade dos processos e na perceção de valor pelos clientes. Rodrigo Soares, Líder de Arquitetura de Soluções para a América Latina da OutSystems, alertou que a IA é frequentemente vista como uma ferramenta para reduzir equipas, mas isso acarreta um risco perigoso de queda no Net Promoter Score (NPS) ou degradação no Service Level Agreement (SLA) de entrega, métricas que raramente são devidamente medidas.
A OutSystems, com 25 anos de mercado e consolidada como uma plataforma de agência que integra desenvolvimento de aplicações, workflows e agentes virtuais num ecossistema único, tem observado essa evolução tecnológica em empresas ao redor do mundo. A multinacional destaca que a maturidade digital exige a superação de abordagens pontuais em favor de uma visão sistêmica. A estratégia recomendada para sustentar esse avanço baseia-se em transformar cada projeto numa base incremental de conhecimento.
Em vez de reconstruir infraestruturas do zero a cada nova inovação, as organizações devem reaproveitar as lições aprendidas em jornadas de atendimento ou logística para fortalecer outras áreas de negócio. Esse modelo de desenvolvimento contínuo traz benefícios diretos para o ecossistema corporativo e utilizadores finais, ao assegurar que a automação não comprometa a fluidez nas transações legítimas. A redução de atrito e a preservação dos padrões de serviço mantêm a confiança do consumidor, enquanto a empresa ganha em escala de forma segura e estruturada.
"Ainda estamos no início da jornada das empresas nativas em IA, aplicando a tecnologia para otimizar trechos específicos, mas no futuro veremos a reorganização completa dos processos através de sistemas multiagentes", explicou Soares, ao detalhar a transição tecnológica. A consolidação desse aprendizado corporativo, além da otimização imediata, fortalece a resiliência da infraestrutura e impulsiona o valor de mercado das organizações. Ao estruturar um ecossistema que acumula inteligência operacional, as corporações evitam desperdícios financeiros e preparam o seu modelo de gestão para as exigências do mercado futuro.
A evolução do setor aponta para um cenário em que a inovação tecnológica deve estar estritamente alinhada com a eficiência e a sustentabilidade dos negócios. "Cada iniciativa de inteligência artificial precisa de erguer um edifício que potencialize as próximas, combinando perfeitamente a inovação contínua, a velocidade de execução e a indispensável inteligência humana", concluiu Soares.
A visão da OutSystems sugere um caminho mais ponderado para a adoção da IA, onde o foco não é apenas a eficiência operacional bruta, mas a construção de um sistema inteligente e adaptável que evolui com a organização. A complexidade crescente das operações empresariais e a expectativa dos clientes por experiências personalizadas e eficientes demandam uma abordagem que vá além da simples substituição de tarefas humanas por algoritmos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





