A economia brasileira enfrenta um ciclo de estímulos fiscais e creditícios que, segundo a gestora TAG Invest, pode custar até R$ 295 bilhões aos cofres públicos até 2026. Em carta mensal enviada a clientes, a casa classifica o conjunto de iniciativas governamentais como expansionista e desenhado estrategicamente para o calendário eleitoral, alertando para os impactos estruturais sobre a credibilidade das contas nacionais.
O diagnóstico da gestora ocorre em um momento de preocupação crescente com a sustentabilidade da dívida bruta, que atingiu 80,1% do PIB em abril. A análise sugere que a combinação de subsídios, desonerações e novas propostas legislativas coloca o país em uma trajetória de risco, onde a política monetária precisará permanecer restritiva para conter as pressões inflacionárias decorrentes do aumento de gastos.
O peso das medidas no orçamento
O pacote mapeado pela TAG inclui uma série de ações que vão desde a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil até a possível redução da jornada de trabalho. A gestora destaca que, embora cada medida possua justificativas sociais, o efeito agregado é um estímulo macroeconômico que ignora as restrições fiscais vigentes. A inclusão de mecanismos parafiscais, que operam fora do orçamento tradicional, é apontada como um fator que mascara a real situação do déficit público.
Um ponto central na análise é a proposta de redução da jornada semanal. Citando estudos do BTG Pactual, a gestora argumenta que a mudança poderia elevar os custos de pessoal em diversos setores, gerando um impacto mensal próximo de R$ 10 bilhões na massa salarial das empresas. Esse custo adicional, somado a outros subsídios, cria um ambiente de incerteza para o planejamento de longo prazo do setor produtivo.
Dinâmicas de mercado e inflação
A tese central da TAG é que o governo está injetando liquidez em um momento em que o mercado de trabalho já se encontra aquecido. Esse descompasso gera um resultado mecânico previsível: maior pressão sobre os preços, que obriga o Banco Central a manter juros em patamares elevados. O relatório enfatiza que o arcabouço fiscal perdeu sua eficácia como âncora, deixando o país vulnerável a choques externos e internos.
A comparação histórica feita pela gestora é severa. O volume de estímulos para 2026 é classificado como o segundo maior da história recente, perdendo apenas para o ciclo que antecedeu a recessão de 2015 e 2016. Essa analogia serve como um alerta para os riscos de deterioração rápida dos indicadores macroeconômicos em períodos de intensa disputa eleitoral.
Implicações para o investidor
Diante desse cenário, a recomendação da TAG para os investidores é de uma postura defensiva. A gestora sugere que ao menos 30% do patrimônio esteja alocado em moeda forte, como o dólar, para mitigar a volatilidade política e a desvalorização cambial estrutural. A diversificação internacional é apresentada como a principal ferramenta para reduzir a exposição aos riscos domésticos.
No mercado local, a estratégia recomendada prioriza ativos de proteção inflacionária. Títulos públicos atrelados ao IPCA e instrumentos isentos de Imposto de Renda, como debêntures incentivadas, CRIs e LCIs, compõem a preferência da casa. O objetivo é buscar taxas de juro real acima de 7% ao ano, garantindo a preservação do poder de compra em um ambiente de inflação persistente e incerteza fiscal.
Perspectivas e incertezas
O que permanece em aberto é a capacidade de reação do mercado e a eficácia das medidas de ajuste que possam vir a ser implementadas após o pleito. A trajetória da dívida/PIB, com projeções que apontam para 100% até 2032, coloca o Brasil em uma posição de fragilidade caso não ocorram mudanças estruturais profundas.
O futuro próximo exigirá dos agentes econômicos uma vigilância constante sobre a execução orçamentária e as sinalizações da equipe econômica. A questão fundamental não é apenas o custo dos estímulos, mas a capacidade do país de retomar o crescimento sustentável sem recorrer ao endividamento excessivo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





