A Paramount Skydance intensificou sua guinada tecnológica ao nomear Barak Turovsky, um ex-executivo do Google, como o novo chefe de inteligência artificial voltada ao consumidor. A contratação, comunicada internamente pelo diretor de produto Dane Glasgow, marca um esforço estratégico para modernizar a infraestrutura de streaming da companhia sob a gestão de David Ellison.
Turovsky, que possui histórico em empresas como General Motors, Cisco e SAP, chega com a missão de expandir a equipe de IA e machine learning. Segundo o memorando interno, o objetivo é utilizar tecnologias emergentes para otimizar pilares críticos, incluindo a personalização de conteúdo, descoberta de catálogo e novas capacidades de monetização para plataformas como o Paramount+ e o Pluto TV.
A busca por escala tecnológica
A chegada de Turovsky ocorre em um momento de reestruturação organizacional na Paramount. A empresa está consolidando sua liderança técnica após a saída do CTO Phil Wiser, com executivos-chave passando a reportar diretamente a Glasgow. A estratégia reflete uma necessidade urgente de alinhar a oferta de entretenimento com ferramentas de automação que já são padrão em competidores globais do setor de mídia.
O histórico de Turovsky no Google, onde liderou a comercialização de grandes modelos de linguagem e tecnologias baseadas em Transformers, é visto como um ativo fundamental. A expectativa é que ele consiga transpor essa experiência para o ambiente de streaming, transformando dados em engajamento direto, um desafio que a Paramount tem enfrentado ao tentar reduzir a distância competitiva para gigantes como Netflix.
Mecanismos de monetização e engajamento
A aplicação prática da IA na Paramount foca em transformar a experiência do usuário em uma ferramenta de receita. Ao integrar inteligência artificial na descoberta de conteúdo e no desenvolvimento de recursos interativos, como ferramentas de compras e estatísticas esportivas em tempo real, a empresa busca aumentar o tempo de permanência nas plataformas.
Internamente, a mudança é vista como uma tentativa de superar a dependência de métodos tradicionais de curadoria. Engenheiros da casa já relatam o uso de múltiplos agentes de IA para acelerar o desenvolvimento de software, indicando que a cultura corporativa está se adaptando para suportar uma operação cada vez mais automatizada e orientada por dados de comportamento do consumidor.
Tensões no mercado de streaming
A aposta em talentos oriundos do ecossistema de tecnologia, como a contratação de Hugh Williams, também ex-Google, sugere que a Paramount está tentando importar uma cultura de produto mais ágil. Para o mercado, o movimento sinaliza que a infraestrutura técnica tornou-se tão vital quanto o catálogo de produções originais para a sustentabilidade financeira dos serviços de streaming.
A concorrência por profissionais de IA é intensa, e a Paramount enfrenta o desafio de reter talentos enquanto tenta modernizar sistemas legados. A capacidade de integrar essas inovações sem comprometer a estabilidade das plataformas será o teste definitivo para a nova liderança, especialmente em um cenário onde o churn de assinantes é uma preocupação constante.
Perspectivas de integração
O que permanece incerto é a velocidade com que essas inovações chegarão ao usuário final de forma tangível. A transição para uma estrutura de IA centralizada sob o comando de Turovsky levanta questões sobre como a empresa equilibrará a automação com a curadoria humana em suas ofertas de conteúdo.
O mercado observará atentamente se a nova estrutura de relatórios diretos a Glasgow conseguirá eliminar os silos organizacionais. A capacidade da Paramount de converter esses investimentos em tecnologia em crescimento real de receita será o principal indicador do sucesso desta nova fase de gestão.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





