Leonel Pavan, aos 72 anos, demonstra uma estratégia política camaleônica em Camboriú, buscando apoio em todas as esferas de poder, independentemente de alinhamento ideológico. Com um plano audacioso para transformar Camboriú em um polo industrial, de exportação e turismo, Pavan visa impulsionar a demanda por moradia e a arrecadação municipal, que atualmente é apenas um terço da vizinha Balneário Camboriú. O prefeito já assegurou um convênio estadual para duplicação de rodovia e R$ 100 milhões do governo federal para um parque inundável com vocação turística e de controle de enchentes.
O Legado de Balneário Camboriú
Pavan não esconde sua inspiração no sucesso de Balneário Camboriú, cidade que governou por três mandatos e onde iniciou a verticalização que a tornou conhecida como a "Dubai brasileira". A relação entre as duas cidades é complexa. Balneário Camboriú, que era um distrito de Camboriú, emancipou-se em 1964, fazendo com que sua "cidade-mãe" perdesse o acesso direto ao mar. Enquanto Balneário Camboriú prosperou com seus arranha-céus, Camboriú, conhecida como capital do mármore, ficou para trás, sendo hoje definida por uma placa como "cidade-mãe" de sua vizinha mais próspera. A gestão atual de Pavan busca não apenas o desenvolvimento de Camboriú, mas também a integração com Balneário Camboriú, com projetos que beneficiam ambas as cidades, como o parque inundável que fornecerá água para a cidade vizinha e a ampliação de estradas para facilitar o deslocamento.
A Estratégia de Integração e Expansão
A volta de Pavan à política, após cinco anos, é motivada pelo desafio e pela possibilidade de implementar sua visão de desenvolvimento. A parceria com sua filha, Juliana Pavan, vice-prefeita de Balneário Camboriú, fortalece essa integração. Projetos como um aeroporto privado em Camboriú para atender o público de alta renda com segundas residências em Balneário Camboriú, e o estímulo a empreendimentos de classe média para trabalhadores de BC, demonstram essa visão de complementaridade. Pavan acredita que, apesar da possível competição por moradores, a menor extensão territorial de Balneário Camboriú pode favorecer Camboriú sem prejudicá-la.
Novos Horizontes: Indústria e Turismo Náutico
Além do desenvolvimento imobiliário e da infraestrutura, Pavan mira a atração de indústrias por meio de isenções fiscais e a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). O aproveitamento do Rio Camboriú para projetos imobiliários com marinas e o fomento ao turismo náutico também estão no radar, visando atrair público de alta renda e diversificar a economia local, que hoje conta com poucas opções de hospedagem. Medidas de curto prazo, como a correção da metragem de imóveis para aumentar a arrecadação de IPTU, complementam a estratégia.
Projeções e Confiança
Pavan projeta um aumento significativo na arrecadação de Camboriú, que deve atingir R$ 620 milhões em 2026 e cerca de R$ 800 milhões até o fim de seu mandato em 2028. Sua confiança é tamanha que ele apostou um imóvel com um sócio, garantindo que atingirá a meta. A ambição de Pavan é clara: transformar Camboriú em um município pujante, aproveitando sua história e buscando novas vocações econômicas em colaboração com sua vizinha mais famosa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Metro Quadrado




