O Andy Matthews Studio apresentou um pavilhão de críquete contemporâneo e de cor preta na área de Dulwich Common, no sul de Londres. Construído para o Streatham & Marlborough Cricket Club, o edifício se destaca pela sua abordagem de design que se contrapõe à noção de projetos genéricos e pré-fabricados, frequentemente encontrados em clubes esportivos comunitários. O objetivo foi criar uma interpretação moderna de um pavilhão tradicional, atendendo às exigências modernas do críquete, ao mesmo tempo em que se demonstra a qualidade de instalações que podem ser alcançadas mesmo com orçamentos limitados.

Um Contraponto ao Genérico

Segundo Andy Matthews, fundador do estúdio, a inspiração principal foi combater a tendência de clubes comunitários receberem construções rudimentares ou adaptadas, como contêineres, devido a restrições orçamentárias. O projeto em Dulwich propõe que esses grupos merecem espaços projetados especificamente para seus locais, com abundante luz natural, em vez de soluções padronizadas. A forma principal, com um telhado de uma única água (mono-pitch), é uma reinterpretação da silhueta tradicional de telhado inclinado de um pavilhão de críquete. A inversão de cores, com revestimento externo em madeira de lariço queimado preta contrastando com um relógio branco, e a extensão das coberturas para criar áreas de convívio e sombreamento solar, adicionam um toque contemporâneo distintivo. A intenção é que o pavilhão se integre à paisagem, quase como uma construção agrícola, misturando-se ao céu e à natureza.

Design Flexível e Sustentável

O novo pavilhão é 100 metros quadrados menor que a estrutura anterior, otimizando o espaço. Sua área principal abriga um salão multiuso, fechado por portas de vidro deslizantes em toda a altura, que oferecem vistas para dois campos de críquete. Uma ampla cobertura sobre essas portas cria uma área externa protegida para espectadores. Mais do que um espaço para dias de jogo, o pavilhão foi concebido como um local flexível, capaz de ser alugado para gerar receita adicional para o clube. Essa versatilidade é vista como fundamental para a sustentabilidade financeira do clube, cobrindo os custos de manutenção e reduzindo a necessidade de futuras captações de recursos. A proposta é que o edifício sirva à comunidade em diversas atividades, desde eventos sociais como casamentos e aniversários até aulas de yoga, reuniões e grupos de escrita, funcionando sete dias por semana.

Integração e Impacto

Além do salão principal, o pavilhão inclui vestiários com acesso direto ao campo, equipados com banheiros, chuveiros e bancos com vista para o jogo, permitindo que os jogadores acompanhem a partida enquanto se preparam. Um volume menor abriga o bar, a cozinha e banheiros adicionais. O design busca ir além da funcionalidade básica, oferecendo uma resposta “calma, mas alegre” ao local. O estúdio espera que esta abordagem contemporânea atraia um público mais amplo e diverso para o esporte. A construção, feita com madeira maciça, visa acelerar o processo e reduzir o impacto ambiental, alinhando-se a uma preocupação crescente com a sustentabilidade na arquitetura.

Perguntas em Aberto

O sucesso financeiro do pavilhão dependerá da sua capacidade de atrair e reter locatários e eventos diversos ao longo do ano, além de manter o interesse dos membros do clube. A integração do novo design com a paisagem histórica de Dulwich Common e a sua aceitação pela comunidade local, acostumada a um estilo mais tradicional, também serão fatores observados. Resta saber se esta abordagem de design específico e sustentável para clubes comunitários será replicada em outros locais e para outras modalidades esportivas.

O pavilhão de Dulwich, com seu design ousado e funcionalidade ampliada, representa um passo adiante na evolução de espaços esportivos comunitários, demonstrando que é possível unir estética, propósito e sustentabilidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen