A sangria nos cofres da Petróleos Mexicanos (Pemex) se intensificou. A estatal reportou perdas de 9,18 bilhões de pesos mexicanos — cerca de R$ 2,5 bilhões — no primeiro semestre do ano, decorrentes do roubo de combustíveis. O montante representa um salto de 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo foi de 7,65 bilhões de pesos.
O problema, conhecido localmente como “huachicol”, é uma chaga crônica para a Pemex e para o governo mexicano. A leitura dos novos dados, publicados em seu balanço financeiro e reportados pelo jornal Expansión, é que a estratégia de combate ao crime pode estar gerando um efeito colateral indesejado: a migração de uma modalidade de fraude para outra, sem que a perda financeira diminua.
O mapa do 'huachicol'
Existem duas frentes principais de roubo de combustível no México. A primeira é o “huachicol fiscal”, um esquema de contrabando e evasão de impostos na importação de combustíveis. A segunda é o “huachicol convencional”, a perfuração direta e clandestina dos dutos da Pemex. Nos últimos anos, o governo mexicano endureceu a fiscalização em portos e aduanas para combater a primeira modalidade.
Contudo, os números sugerem que a pressão sobre a fraude fiscal coincidiu com um recrudescimento do roubo físico. Segundo dados do Instituto para la Gestión, Administración y Vinculación Municipal (IGAVIM), o número de perfurações ilegais detectadas subiu 8,6% no primeiro trimestre do ano, totalizando mais de 2,5 mil incidentes. Na prática, isso significa uma nova tomada clandestina descoberta a cada 51 minutos, com foco nos estados de Hidalgo, Jalisco e Estado de México.
Um desafio logístico
O combate ao “huachicol” é dificultado pela própria escala do mercado. O combustível roubado não é vendido apenas em postos improvisados em estradas, mas é absorvido pelo mercado formal, abastecendo desde estações de serviço a frotas de grandes empresas. A dimensão logística torna a vigilância uma tarefa hercúlea.
Analistas do setor estimam que o México comercializa cerca de 216 milhões de litros de gasolina e diesel por dia. Movimentar esse volume exigiria mais de 7 mil viagens diárias de caminhões-tanque. Monitorar essa cadeia de ponta a ponta — da extração ao armazenamento e distribuição — é praticamente impossível, o que abre brechas para que o produto ilegal se misture ao legal.
A situação da Pemex ilustra a complexidade de combater um crime que é, ao mesmo tempo, um problema de segurança pública e um sofisticado negócio paralelo. Enquanto uma frente é atacada, outra parece se fortalecer, mantendo a pressão sobre as finanças de uma das maiores petroleiras da América Latina.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Expansión MX





