O livro "Thinking From Black: A Lexicon", lançado em 2026 e editado por Tina Campt, Kaiama L. Glover, Canisia Lubrin, Tavia Nyong’o, Christina Sharpe e Alexander Ghedi Weheliye, propõe uma redefinição de termos a partir da perspectiva negra. Nascido do Practicing Refusal Collective, um grupo de acadêmicas feministas negras que se reúne desde 2015, o livro tem como objetivo ampliar a conversa crítica sobre a vida negra em diversas áreas do conhecimento. Artistas, poetas e historiadores contribuem com suas reflexões, oferecendo novas definições para palavras e frases que, segundo eles, fazem a negritude proliferar, sejam elas tradicionais ou especulativas, escritas ou não.

O título "Thinking From Black" já sugere a proposta central: um exercício de pensamento que parte da experiência e da perspectiva negra para reinterpretar conceitos. Ao invés de apresentar explicações ou definições simplistas, o livro se autodenomina um "glossário diaspórico". Essa escolha é estratégica, pois convida o leitor a ir além da mera consulta e a se engajar em uma ruminação profunda sobre a calamidade, os prazeres, as cerimônias e as emergências que moldam a vida negra em escala global. A obra se inspira em pensadores como o poeta e acadêmico barbadiano Kamau Brathwaite, que em 1979, em seu discurso "History of the Voice: The Development of Nation Language in Anglophone Caribbean Poetry", discutiu as linguagens diaspóricas do Caribe e a inadequação do inglês colonial para capturar a perspectiva insular. Brathwaite cunhou o termo "nation language" para descrever uma linguagem que sintetiza influências africanas em uma língua caribenha creolizada, comparando-a a um uivo, um grito, uma metralhadora, o vento ou uma onda, e também ao blues.

"Thinking From Black" se alinha a essa ideia de uma linguagem que foge das amarras coloniais e se expande para abarcar a complexidade da experiência negra. Cada entrada do glossário funciona como um ponto de partida, um convite para o leitor explorar as múltiplas camadas de significado e as ressonâncias culturais e políticas de cada termo. A abordagem fragmentada e multifacetada do livro reflete a própria natureza da diáspora negra, marcada pela dispersão, pela resiliência e pela constante reinvenção. A obra não busca oferecer respostas definitivas, mas sim abrir caminhos para novas compreensões e para um diálogo interdisciplinar mais rico e matizado sobre o que significa pensar e viver a partir da negritude.

Com reportagem de Brazil Valley

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