O governo chinês está agindo para proteger seus exportadores do que, para muitos, seria um bom problema: uma moeda forte. Segundo reportagens da Reuters e da Bloomberg, o órgão regulador do mercado cambial da China emitiu instruções informais a bancos para que incentivem seus clientes corporativos a fazer mais hedge cambial. O movimento não é trivial: o yuan acumula alta de 4,3% no ano e opera próximo da máxima em quatro anos contra o dólar.
A orientação de Pequim é um sinal claro de que as autoridades estão preocupadas com o impacto da valorização cambial sobre a competitividade de suas exportações. O setor é um dos poucos pontos positivos em uma economia que, no geral, dá sinais de desaceleração. A medida sugere que o governo quer que as empresas se preparem para mais valorizações ou, no mínimo, para uma volatilidade maior à frente.
O equilíbrio delicado de Pequim
A valorização do yuan apresenta um dilema para os formuladores de política na China. Por um lado, uma moeda forte reflete a robustez econômica relativa e é um pilar para o projeto de longo prazo de internacionalizar sua moeda, como indicou recentemente Lu Lei, do banco central chinês. Uma moeda apreciada também aumenta o poder de compra do país para importações e atrai capital estrangeiro.
Por outro, essa mesma força cambial corrói a margem dos exportadores, tornando seus produtos mais caros no mercado global. A orientação para o hedge é uma solução de mercado, ainda que induzida pelo Estado. É uma tentativa de mitigar o risco no nível das empresas sem recorrer a uma intervenção direta no câmbio, o que poderia gerar acusações de manipulação e atrair um escrutínio internacional indesejado.
O movimento transfere, na prática, a responsabilidade do gerenciamento de risco para o setor privado, ainda que com um forte incentivo estatal. Para o comércio global, a leitura é que a volatilidade da moeda chinesa é um fator cada vez mais relevante. A era de um yuan previsivelmente estável parece estar chegando ao fim, e Pequim quer que suas empresas estejam prontas para essa nova realidade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





