A promessa de alívio da dívida estudantil nos Estados Unidos pode vir acompanhada de uma surpresa desagradável para centenas de milhares de americanos: um aumento substancial em suas contas de impostos federais. Uma nova análise do grupo de defesa Protect Borrowers revela que a expiração de uma provisão de 2021, que tornava o perdão de dívidas estudantis isento de impostos federais, pode fazer com que as contas de impostos de alguns mutuários tripliquem na próxima década.

A isenção fiscal, parte do American Rescue Plan, permitia que o valor da dívida perdoada não fosse considerado como renda tributável. No entanto, essa medida expira em 2025, deixando os mutuários que se qualificarem para o perdão de dívidas após essa data sujeitos a impostos sobre o montante perdoado. A análise estima que, para um casal com dois filhos e renda anual de US$ 60.000, o perdão de US$ 50.000 em dívidas estudantis poderia resultar em aproximadamente US$ 7.200 em impostos federais adicionais e créditos perdidos. Em outros cenários modelados, o custo adicional variou entre US$ 6.000 e US$ 12.000.

A 'Bomba Fiscal' no Horizonte

A análise, baseada nas regras fiscais federais de 2026, utilizou o saldo médio de empréstimos estudantis cancelados sob um plano de pagamento baseado na renda (IDR - Income-Driven Repayment). Esses planos perdoam a dívida após 20 ou 25 anos, dependendo de quando os empréstimos foram contraídos. Jennifer Zhang, analista de políticas do Protect Borrowers, destacou a ironia da situação: "O Congresso projetou os programas de Pagamento Baseado na Renda com a promessa de alívio da dívida para que os mutuários não sejam forçados a carregar o peso de seus empréstimos estudantis por toda a vida. Mas essa promessa significa pouco se os americanos que finalmente chegam à linha de chegada enfrentam uma conta de impostos massiva que os mantém presos na dívida."

Impacto Desigual e Pressões Políticas

Os mutuários no sul dos Estados Unidos, incluindo Louisiana, Mississippi e Arkansas, são os que devem enfrentar os maiores aumentos de impostos. Isso ocorre porque, tipicamente, eles possuem saldos de dívida maiores e rendas mais baixas, o que torna o impacto de um imposto sobre a dívida perdoada mais severo. Relatos de mutuários já demonstram preocupação. Misty Knapp, por exemplo, estava a seis pagamentos de ter sua dívida aliviada, mas teme não poder arcar com os impostos que viriam com o perdão. "Não sei como isso vai ser, mas se eu for taxada pelo valor que for perdoado, será muito dinheiro", disse Knapp.

Em resposta a essa preocupação crescente, legisladores democratas têm pressionado para restaurar a provisão de isenção fiscal. No ano passado, um grupo de parlamentares enviou uma carta ao Departamento do Tesouro, citando uma análise anterior do Protect Borrowers que estimava perdas entre US$ 5.800 e US$ 10.000 para um mutuário em um plano IDR que recebesse alívio da dívida. "Ao punir os beneficiários do IDR com contas de impostos massivas, o governo federal mina o próprio propósito do programa IDR e descumpre suas promessas aos mutuários", escreveram os parlamentares.

O Futuro da Dívida Estudantil e o Sistema Tributário

A expiração da isenção fiscal levanta questões sobre a sustentabilidade e a eficácia dos programas de alívio de dívida estudantil a longo prazo. Se o perdão da dívida se torna um imposto significativo, isso pode desencorajar muitos mutuários de buscar planos de pagamento baseados na renda ou de aproveitar o alívio quando ele se torna disponível. A análise do Protect Borrowers serve como um alerta claro para o Congresso e para os mutuários sobre as potenciais consequências financeiras não intencionais de uma mudança legislativa.

A situação atual destaca a complexidade do sistema de dívidas estudantis nos EUA e a interconexão entre alívio de dívida e política fiscal. A decisão de permitir que a isenção expire em 2025 pode ter repercussões duradouras, potencialmente minando os esforços para aliviar o fardo financeiro de milhões de americanos. A questão agora é se o Congresso agirá para reverter essa política antes que a "bomba fiscal" atinja os mutuários.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider