Pere Navarro, a figura máxima da Dirección General de Tráfico (DGT) espanhola, não se esquiva do debate sobre radares e multas. Em uma entrevista recente ao jornal El Comercio, ele abordou a percepção pública de que o órgão de trânsito visa apenas arrecadar, mas sua resposta foi direta e contundente: "A sanção não é tanto pelo excesso de velocidade, é por tonto". A declaração, proferida durante a Convenção Nacional de Diretores da DGT em Astúrias, reflete uma visão pragmática sobre a segurança viária e o comportamento humano ao volante.

Navarro argumenta que a velocidade, independentemente de ser um pouco acima do limite, é um fator que ou causa acidentes ou agrava suas consequências. Para combater isso, os radares são uma ferramenta universalmente reconhecida e utilizada, tanto na Espanha quanto em outros países. A crítica de que os radares são meros instrumentos de arrecadação, segundo ele, é recebida com resignação, mas a justificativa para sua existência reside na redução de fatalidades e feridos graves. A simples presença de um radar, mesmo que não esteja ativo, já demonstra ter um efeito dissuasor, levando motoristas a reduzir a velocidade por precaução, como indicam estudos que apontam uma redução de até 56% em acidentes graves com a instalação desses dispositivos.

A DGT, ciente do chamado "efeito canguru" – onde motoristas freiam antes do radar e aceleram logo após –, tem investido em tecnologias que mitiguem essa falha. A instalação de caixas de radares vazias, por exemplo, explora a incerteza do condutor sobre a ativação do equipamento, forçando uma vigilância constante. Além disso, a aposta em radares de tramo, que medem a velocidade média em um determinado trecho, e em equipamentos móveis como os helicópteros Pegasus, que podem flagrar infrações a distância e altura consideráveis, amplia o alcance da fiscalização e dificulta a evasão. Esses avanços tecnológicos, aliás, contribuíram para que 2025 marcasse um recorde no número de multas aplicadas, ultrapassando a barreira dos seis milhões de sanções, segundo dados da Pyramid Consulting.

Navarro, ao defender a DGT, aponta para a responsabilidade individual do condutor. A presença de sinalização clara sobre radares, segundo ele, deveria ser suficiente para que os motoristas ajustassem sua velocidade. Ignorar essa advertência e prosseguir em alta velocidade, mesmo sabendo da fiscalização, é o que leva o diretor a classificar a infração como "por tonto". A questão que permanece é se essa abordagem, focada na punição da imprudência, é suficiente para mudar um comportamento arraigado ou se a percepção de mera arrecadação continuará a dominar o diálogo sobre segurança viária.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka