Uma Jornada Pelas Paisagens Peruanas
A exploração de um país como o Peru transcende a mera visita a monumentos históricos ou paisagens naturais. Trata-se de uma imersão profunda em um mosaico de culturas, tradições e sabores que se desdobram em uma narrativa contínua. A recente viagem a este país sul-americano revelou uma rota hoteleira que funciona como um fio condutor, ligando quatro propriedades distintas e permitindo que o viajante experimente a diversidade geográfica e cultural peruana, do litoral pacífico às imponentes montanhas dos Andes. Essa jornada, que se inicia na cosmopolita Lima e ascende gradualmente em direção à altitude, oferece uma perspectiva única sobre a forma como a hospitalidade pode encapsular a essência de uma nação.
Cada hotel visitado não é apenas um local de descanso, mas um portal para compreender aspectos específicos da identidade peruana. A experiência começa na capital, onde a modernidade se encontra com a sofisticação, e progride para a beleza desértica da costa, a serenidade do Vale Sagrado e, finalmente, a grandiosidade histórica de Cusco. Essa progressão geográfica é acompanhada por uma crescente conexão com as raízes ancestrais e a rica tapeçaria cultural do país, demonstrando como a arquitetura, a gastronomia e as práticas sustentáveis dos hotéis refletem e celebram o patrimônio peruano. A viagem, portanto, se configura como um capítulo de uma história maior, onde cada parada revela uma nova faceta do Peru.
Lima: Sofisticação e Segredos na Capital
A jornada tem seu ponto de partida em Lima, especificamente no The Westin Lima, localizado no distrito financeiro de San Isidro. Este hotel, pioneiro na América Latina ao obter a certificação LEED Gold, já sinaliza um compromisso com a sustentabilidade e o cuidado com o ambiente. A partir de suas janelas insonorizadas, o burburinho da cidade se transforma em um murmúrio distante, e as luzes noturnas criam um espetáculo à parte. Antes do cair da noite, o The Pisco Room by Viñas de Oro oferece uma introdução ao pisco, a bebida nacional peruana, com degustações que narram sua história e aromas. A experiência se aprofunda com masterclasses de pisco sour e até mesmo a possibilidade de criar um blend personalizado, engarrafá-lo com um rótulo especial e sair com um certificado de tour. A noite, porém, reserva um segredo: o Alphonse Speakeasy. Escondido atrás de uma aparente simplicidade, com um disco de vinil dourado na parede como pista, o acesso se dá por meio de uma estante de livros que revela um ambiente de luz âmbar baixa, cristais vintage e cantos de veludo. Ali, o jazz soulful e cocktails elaborados, como um que combina conhaque e maçã, transportam o visitante para outra época. O jantar no Maras, restaurante do chef Rafael Piqueras, oferece um prelúdio gastronômico da viagem, com pratos que percorrem a costa, montanhas e selva do Peru, preparando o paladar para as próximas etapas da jornada.
Paracas: O Deserto Encontra o Pacífico
Seguindo para o sul, a paisagem urbana de Lima dá lugar à vastidão do deserto, onde as dunas encontram o Oceano Pacífico. É nesse cenário que se encontra o Hotel Paracas, A Luxury Collection Resort. Projetado pelo arquiteto Bernardo Fort-Brescia, o retiro de paredes brancas e portas azul-cobalto se integra harmoniosamente à paisagem, com terraços voltados para o mar ou para jardins exuberantes. A partir de seu píer privativo, passeios de barco levam às Ilhas Ballestas, um santuário marinho repleto de leões-marinhos, pinguins de Humboldt e aves marinhas. A experiência no mar permite não apenas a observação da vida selvagem, mas também a degustação de vieiras frescas, colhidas diretamente da baía. Ao retornar, o restaurante Chalana, situado no final do píer, recompensa o dia com frutos do mar frescos, incluindo as vieiras locais e ceviches, enquanto o sol pinta o céu de tons alaranjados sobre a baía. A aventura não para na água; o resort oferece atividades no deserto, como sandboard e passeios de buggy, que exploram as imensas cristas douradas. A proximidade do mar, um fio cintilante de azul Pacífico, cria um contraste fascinante com a imensidão silenciosa do deserto, proporcionando uma sensação de isolamento e tranquilidade que prepara o viajante para a ascensão à altitude.
Vale Sagrado: Sustentabilidade e Tradição Ancestral
A viagem prossegue para o Vale Sagrado, uma região onde o ar já se torna mais rarefeito e o rio Urubamba serpenteia. O Tambo del Inka, A Luxury Collection Resort & Spa, evoca os antigos tambos das estradas incas, postos de descanso e suprimento para viajantes. Aqui, a sustentabilidade é a base da experiência, não um mero aditivo. O resort foi o primeiro hotel com certificação LEED no Peru e possui a distinção Biosphere Committed, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Seus jardins orgânicos de 8.000 m² fornecem vegetais, folhas e ervas aromáticas para a cozinha, permitindo que os hóspedes participem da colheita e desfrutem de refeições com ingredientes frescos, com vista para o rio e as montanhas. A filosofia de conexão com a terra se estende aos tecelões locais, guardiões de tradições ancestrais, que compartilham seu ofício com os hóspedes, transformando lã de alpaca e ovelha em peças que carregam a herança da região. No AMA, um ecossistema cultural no Boulevard do hotel, a hospitalidade se redefine como uma conexão autêntica com a terra, a cultura e a natureza, utilizando materiais locais, conhecimento ancestral e o envolvimento das comunidades. Este projeto também apoia moradores locais em situação de vulnerabilidade, transformando a hospitalidade em um meio de subsistência compartilhado.
Cusco: História e Altitude no Coração Inca
A etapa final da jornada leva aos 11.000 pés de Cusco, a antiga capital do Império Inca. A altitude exige adaptação, e o Palacio del Inka, a Luxury Collection Hotel, Cusco, oferece um refúgio histórico em frente ao Qoricancha, o Templo do Sol. O edifício, uma mansão de 500 anos, preserva vestígios da história em cada canto. Uma parede inca original de 64 metros percorre o bar do hotel, e uma pedra de oito ângulos de uma muralha imperial remete a rituais de um tempo desaparecido. Cerca de 200 obras de arte coloniais, muitas delas originais da Escola Cusquenha, adornam os corredores, transformando o hotel em um museu vivo. A galeria de arte moderna Mantay continua essa narrativa, apoiando um abrigo para mães adolescentes. A adaptação à altitude é facilitada por recursos como oxigênio sob demanda e ar enriquecido em quartos selecionados, além do Andes Spirit Spa, cujos tratamentos buscam restaurar corpo, mente e espírito. A experiência em Cusco é marcada por uma atmosfera de reverência à história, com música andina, rituais à luz de velas no pátio e a presença serena de alpacas, que parecem caminhar livremente entre os hóspedes. A jornada, iniciada com o som de um saxofone em Lima, encontra seu ápice entre as pedras milenares de Cusco, culminando em uma narrativa coesa sobre a hospitalidade e a rica identidade do Peru.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Cool Hunting





