George Osborne, presidente do British Museum, expressou nesta terça-feira (14) um otimismo cauteloso quanto à possibilidade de um acordo para o compartilhamento dos Mármores do Parthenon entre Londres e Atenas. A declaração surge em um momento de contínuas tensões diplomáticas, que se arrastam por mais de dois séculos, e em meio a discussões sobre a preservação das esculturas na capital britânica.
"Ainda estou otimista de que podemos chegar a um acordo", disse Osborne a repórteres em Atenas. "Se todos entrarem nisso com o espírito de que não vamos conseguir tudo o que queremos, como sempre acontece em um acordo bem-sucedido, então há um acordo a ser feito." As esculturas, que datam de 447 a 432 a.C. e retratam deuses e procissões em relevos, painéis e frisos, são também conhecidas como Mármores de Elgin, em referência ao nobre escocês Lord Elgin. Ele removeu as peças da Acrópole em 1801, durante a ocupação otomana da Grécia, e as vendeu posteriormente ao governo britânico, que as abrigou no British Museum.
Um Debate Histórico e Cultural
A Grécia reivindica o retorno das esculturas desde sua independência do Império Otomano em 1832, argumentando que Elgin não possuía base legal para removê-las. Por outro lado, autoridades britânicas citam o British Museum Act de 1963, que proíbe o museu de alienar objetos de sua coleção, como justificativa para reter as peças. As tensões entre os dois países se intensificaram nos últimos anos, impulsionadas pela inauguração de um museu dedicado às esculturas em Atenas e por relatos de vazamentos e outras preocupações de preservação nas galerias do British Museum.
A Proposta de Compartilhamento
"Espero muito que possamos chegar a algum tipo de acordo em que as esculturas do Parthenon que estão em Londres possam ser vistas em Atenas, mas que elas precisem ser compartilhadas", afirmou Osborne. Ele reconheceu que essa posição não é unânime na Grécia, mas a considera essencial para o avanço das negociações. As declarações de Osborne seguem uma publicação em setembro no jornal The Guardian, onde o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, criticou a caracterização do diretor do British Museum, Nicholas Cullinan, sobre o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux pela França como um "exemplo muito convincente de parceria internacional". Cullinan havia sugerido um modelo semelhante de "troca recíproca" para os Mármores do Parthenon.
Implicações e Próximos Passos
Mitsotakis rebateu, escrevendo: "Ninguém contemplaria seriamente cortar o que resta da tapeçaria ao meio e exibir metade em Londres e metade em Bayeux, alegando que isso seria uma forma adequada de compreendê-la. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu com as esculturas do Parthenon." Osborne, ex-Chanceler do Tesouro, tem liderado as negociações. Em 2023, o museu londrino confirmou conversas com o Museu da Acrópole, indicando estar próximo de um acordo para o retorno gradual das esculturas à Grécia como parte de uma troca cultural. Contudo, o acordo não se concretizou. A ministra da Cultura grega, Lina Mendoni, declarou na época que a Grécia não aceitaria um acordo que afirmasse a propriedade do Reino Unido, propondo em vez disso uma troca que garantisse tesouros da antiguidade grega em Londres.
Um Debate com Alcance Europeu
O debate sobre os Mármores do Parthenon pode ganhar novas dimensões. Líderes mundiais se reunirão na próxima cúpula entre União Europeia e Reino Unido em Bruxelas. Falando em uma conferência na Universidade de Atenas em 6 de outubro, Mitsotakis sugeriu que as discussões sobre os laços diplomáticos entre a UE e o Reino Unido, após o Brexit, poderiam incluir a disputa do British Museum. "As esculturas do Parthenon farão parte desse debate. Esta não é apenas uma questão para a Grécia, é uma questão para a Europa", disse o primeiro-ministro grego.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





