A QI Tech concretizou a aquisição da Autobanking, plataforma especializada em financiamento de veículos, em uma transação que envolveu pagamento em dinheiro e troca de ações. Com o movimento, a fintech expande sua atuação para um dos maiores mercados de crédito do Brasil, que movimenta cerca de R$ 280 bilhões anuais em novas concessões.
Os fundadores da Autobanking, Fredy Evangelista e Heitor Orletti, passam a integrar o quadro de sócios da QI Tech. A operação, embora com valores sob sigilo, reflete a busca da companhia por novos mercados para sustentar sua trajetória de crescimento, projetada acima de 50% ao ano, segundo afirmou o CEO Pedro Mac Dowell.
Infraestrutura contra o modelo bancário tradicional
A estratégia da QI Tech no setor automotivo é replicar o modelo de infraestrutura de crédito que consolidou em outros segmentos. Diferente dos grandes bancos, que utilizam o próprio balanço para financiar veículos, a QI Tech pretende atuar como um conector entre a demanda originada nas concessionárias e o capital de investidores, como gestoras e fundos de crédito.
Ao integrar a tecnologia da Autobanking, que atende mais de mil lojas pelo país, a QI Tech assume a esteira completa de formalização, análise e liquidação financeira. A promessa é reduzir o tempo de aprovação de dias para minutos, utilizando FIDCs e veículos de securitização para viabilizar o fluxo de crédito sem que a empresa precise imobilizar capital próprio.
Aposta na escala e no 'lending as a service'
O modelo de 'lending as a service' é o motor da expansão pretendida pela companhia. A meta é elevar o faturamento da unidade Autobanking de R$ 50 milhões para R$ 300 milhões nos próximos doze meses, com a cobrança de um take rate entre 0,5% e 1% sobre o volume processado. A expectativa é que essa vertical represente até 20% da receita total da QI Tech no longo prazo.
Além da originação, a aquisição traz o diferencial operacional da gestão de inadimplência. A recuperação de veículos — que envolve desde o registro de gravame até a retomada e revenda judicial — é considerada uma barreira de entrada crítica no setor, motivo pelo qual os fundadores foram mantidos na liderança da unidade.
Desafios e visão de longo prazo
O mercado de crédito automotivo brasileiro permanece concentrado, o que cria tanto uma oportunidade quanto um desafio para novos entrantes. A capacidade da QI Tech de integrar sua tecnologia de forma eficiente em uma rede capilarizada de concessionárias será o principal indicador de sucesso da tese de infraestrutura defendida pela gestão.
Para o futuro, a empresa vislumbra oportunidades além do financiamento direto, como a exploração de crédito com garantia e linhas de capital de giro para o estoque das concessionárias. A sustentabilidade dessa expansão dependerá da adesão de investidores aos veículos de securitização estruturados pela fintech.
Perspectivas para o ecossistema de crédito
A entrada de um player de infraestrutura em um mercado dominado por grandes bancos levanta questões sobre a dinâmica competitiva do setor automotivo nos próximos anos. A capacidade de processamento e a agilidade tecnológica serão os vetores que determinarão se o modelo de 'lending as a service' conseguirá, de fato, descentralizar o financiamento de veículos no país.
O mercado observará como a QI Tech equilibrará o crescimento agressivo com a gestão de risco necessária em um setor de alta complexidade jurídica e operacional. A integração bem-sucedida da Autobanking pode servir como um teste de estresse para a tese de que a tecnologia de ponta pode superar as tradicionais barreiras de balanço bancário.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





