O Radisson Hotel Group, uma das maiores redes hoteleiras do mundo, anunciou um movimento estratégico para integrar inteligência artificial em seu processo de reservas. A companhia lançou um canal próprio dentro do ChatGPT e, simultaneamente, implementou um sistema automatizado que equipara os preços de seus hotéis com as tarifas mais baixas encontradas em agências de viagens online (OTAs).
A ofensiva digital, desenvolvida em parte com a consultoria Accenture, é uma resposta direta à dominância de plataformas como Booking.com e Expedia. Ao automatizar a garantia de melhor preço e oferecer uma nova forma de descoberta via IA, o Radisson busca remover os principais incentivos para que um cliente reserve através de um intermediário, mirando em retomar a posse do relacionamento — e da margem — com o consumidor final.
Ataque em duas frentes
A estratégia do Radisson se desdobra em dois eixos complementares. O primeiro é o plugin @RadissonHotels para o ChatGPT, que permite aos usuários realizar buscas por hotéis usando linguagem natural, comparar opções e receber recomendações personalizadas para mais de mil estabelecimentos em 100 países. A aposta é capturar o cliente no topo do funil, no momento da inspiração e pesquisa, dentro de uma das plataformas de IA mais populares do mundo.
O segundo eixo é mais agressivo e focado na conversão. A nova tecnologia de equiparação de preços abandona o modelo reativo tradicional, no qual o hóspede precisava encontrar uma tarifa menor, submeter um pedido e aguardar a validação. Agora, um sistema de IA rastreia e iguala, em tempo real e de forma proativa, as tarifas publicadas por OTAs. A fricção é eliminada para o viajante, assim como a carga administrativa para as equipes do hotel.
A batalha pela margem
Para as grandes redes hoteleiras, as reservas diretas são significativamente mais lucrativas, evitando as comissões que podem chegar a mais de 20% cobradas pelas OTAs. O investimento em IA, portanto, não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma ferramenta de negócio para proteger e ampliar as margens. O movimento sinaliza uma disposição para competir não apenas em hospitalidade, mas também em tecnologia.
A iniciativa do Radisson pode servir de modelo para outros players do setor, intensificando a corrida tecnológica entre hoteleiros e distribuidores. Para o consumidor, a tendência aponta para um processo de reserva mais fluido e com a garantia do melhor preço sem a necessidade de comparar dezenas de sites. A questão não é mais se a IA transformará o setor de viagens, mas quão rápido os incumbentes conseguirão usá-la para reequilibrar um mercado há muito dominado pelos agregadores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





