A explosão da inteligência artificial e o consequente aumento na demanda por centros de dados trouxeram à tona um gargalo inesperado: a infraestrutura de redes elétricas. Um relatório da McKinsey & Company, intitulado ‘Technology Trends Outlook 2026’, revela que mais de 2.500 gigawatts (GW) de energia estão, de fato, bloqueados em todo o mundo devido à capacidade insuficiente dessas redes. Este cenário posiciona a disponibilidade de eletricidade e os prazos para conexão como os principais entraves ao progresso tecnológico global, superando até mesmo as limitações de software ou hardware avançado.
Gargalo Energético para a IA
A inteligência artificial está redefinindo o consumo de energia em escala planetária. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que os centros de dados, que representavam 3% da demanda elétrica em 2022, saltarão para 14% até 2030. Esse crescimento é impulsionado por uma potência dedicada à IA que deve triplicar, ultrapassando os 90 GW. A raiz do problema reside no descompasso temporal entre a construção de um centro de dados e a execução das obras de infraestrutura de alta tensão, subestações e transformadores. Adicionalmente, as tensões nas cadeias de suprimentos globais já estenderam os prazos de entrega de transformadores para mais de dois anos em diversos mercados, agravando o cenário.
Investimento e Inovação em Energia
Para mitigar o risco de um colapso energético, o investimento em tecnologias de energia e sustentabilidade atingiu cerca de US$ 200 bilhões em 2025, com projeções de um aumento de 30% para 2026. O setor de energia demonstra maturidade comercial, com mais de 50% das vagas de emprego em tecnologia energética focadas em funções operacionais, de gestão e vendas, indicando um afastamento do foco exclusivo em P&D. Curiosamente, a própria inteligência artificial emerge como ferramenta para solucionar esses desafios energéticos. Através de modelos fundacionais e arquiteturas avançadas aplicadas à ciência de materiais, a IA acelera a descoberta de novas substâncias para baterias, catalisadores e infraestruturas de descarbonização.
Desafios de Absorção e Cibersegurança
Benjamim Vieira, sócio sênior da McKinsey & Company, destaca que o maior desafio para as organizações não é apenas o acesso à tecnologia, mas a capacidade de absorver a autonomia dos novos sistemas. O sucesso dependerá de como as empresas redesenham seus processos operacionais, garantem a supervisão humana e superam barreiras físicas e de governança. Paralelamente, a automação na cibersegurança reduziu drasticamente o tempo entre a detecção de uma vulnerabilidade e sua exploração, de 800 dias em 2018 para menos de 16 horas em 2026, com 75% das falhas sendo do tipo 'zero day'. Nesse contexto, as empresas avançam para arquiteturas de segurança 'zero trust', diante de identidades não humanas (bots) que já superam as humanas em uma proporção de 100 para 1.
O Futuro da Demanda Energética
O relatório da McKinsey também aborda a evolução dos processadores, com a fase de inferência — a execução diária de modelos de IA — concentrando entre 30% e 40% do consumo elétrico dos data centers até 2030. Para otimizar o consumo por 'token', grandes empresas de tecnologia colaboram com fabricantes para desenvolver microchips customizados (ASICs). A capacidade de adaptação da infraestrutura energética global será crucial para sustentar o ritmo acelerado da inovação em inteligência artificial e evitar que o progresso tecnológico fique à mercê de limitações físicas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



