O candidato à presidência pelo partido Missão, Renan Santos, propôs a criação de uma espécie de “Liga da Justiça” formada por empresários para destravar uma agenda de reformas estruturantes. A declaração foi feita durante um evento da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) em Brasília, onde defendeu uma pauta liberal clássica: cortes de gastos, uma “reforma trabalhista decente”, nova reforma da Previdência e a desindexação de despesas públicas.

A proposta, segundo reportagem do Money Times, é uma resposta direta à fragmentação que o próprio candidato diagnosticou no setor produtivo, onde grupos defenderiam apenas os próprios interesses. A metáfora de super-heróis é uma peça de marketing político que busca elevar uma complexa articulação de lobby a uma missão cívica. O movimento sugere que, para avançar uma agenda de reformas profundas, seria preciso um alinhamento inédito entre forças empresariais que historicamente operam em silos.

A retórica e a realidade

O apelo a uma frente unificada de empresários não é novo na política brasileira, mas raramente se materializa de forma coesa. A dificuldade reside na própria heterogeneidade do setor privado. Os interesses da indústria, representados pela CNI, nem sempre convergem com os do setor financeiro (Febraban) ou do agronegócio. Questões como política cambial, tributação e abertura comercial criam fissuras que impedem um bloco monolítico.

A “Liga da Justiça” de Santos, por enquanto, é uma abstração. O candidato não citou nomes ou setores que integrariam a aliança, o que mantém a ideia no campo da retórica. O verdadeiro teste da proposta não está na sua concepção, mas na sua capacidade de traduzir o descontentamento difuso do empresariado com o chamado “Custo Brasil” em uma força política coordenada e com poder de negociação no Congresso.

O anúncio funciona mais como um diagnóstico do problema — a ausência de um lobby empresarial coeso para reformas de interesse geral — do que como uma solução concreta. A viabilidade da “Liga” dependerá da habilidade do candidato em transformar a metáfora em articulação política real, um desafio que tem frustrado muitos de seus predecessores.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times