A Revolut Business, braço corporativo da fintech britânica, elevou a remuneração de suas contas para empresas na Espanha, passando a oferecer um rendimento de até 2,25% ao ano. O movimento, reportado pela Forbes España, posiciona a empresa de forma mais agressiva na disputa pelo caixa das pequenas e médias empresas em um dos principais mercados europeus.
O novo patamar de 2,25% é válido para clientes do plano ‘Enterprise’, o mais completo. Contas do plano ‘Básico’ também tiveram um avanço relevante, passando a render 1% ao ano. A leitura aqui é clara: em um ambiente de taxas de juros mais altas, a competição entre fintechs e bancos incumbentes transcende as funcionalidades e a experiência do usuário, entrando de vez no terreno da gestão de tesouraria.
Mais que um neobanco, um gestor de caixa
A estratégia da Revolut sinaliza uma maturação do setor. Se antes a proposta de valor de um neobanco se concentrava em taxas menores, cartões sem anuidade e agilidade em operações internacionais, agora o jogo é outro. A capacidade de remunerar o capital de giro parado em conta transforma uma ferramenta operacional em um parceiro financeiro estratégico para as empresas.
Segundo a companhia, a medida visa ajudar as empresas a proteger suas margens e maximizar a rentabilidade do capital ocioso. Com mais de 30 mil clientes PJ na Espanha e 850 mil globalmente, a Revolut aposta na simplicidade: a funcionalidade de poupança é integrada ao aplicativo, permitindo que gestores movam fundos entre a conta corrente operacional e a conta remunerada com poucos cliques, sem fricção.
A pressão sobre os incumbentes
Este tipo de oferta coloca pressão direta sobre os bancos tradicionais, que historicamente oferecem pouca ou nenhuma remuneração sobre os saldos em contas correntes de pessoa jurídica. Para uma PME, a possibilidade de obter rendimento sobre o caixa que seria usado para cobrir despesas operacionais no curto prazo é um benefício tangível e imediato, que impacta diretamente a última linha do balanço.
A jogada da Revolut na Europa serve como um laboratório para uma tendência global. Fintechs com balanços robustos e licenças bancárias, como é o caso da Revolut em partes da Europa, estão cada vez mais “reagregando” serviços financeiros, mas sob uma nova lógica. A competição não é mais apenas sobre desintermediação, mas sobre oferecer um pacote de valor superior.
O movimento na Espanha mostra que a fronteira da inovação em serviços financeiros para empresas deslocou-se. A questão deixa de ser apenas quem oferece a melhor interface ou o câmbio mais barato, e passa a ser quem faz o capital do cliente trabalhar de forma mais inteligente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





