O número de robôs industriais em operação em fábricas ao redor do mundo atingiu um novo recorde em 2025, ultrapassando a marca de 5 milhões de unidades. Segundo a Federação Internacional de Robótica (IFR), esse crescimento de 9% em relação ao ano anterior foi impulsionado por um aumento de 11% nas instalações anuais, com mais de 600.000 novos robôs sendo implementados globalmente. A automação industrial avança em alta velocidade, dobrando o número de robôs em operação em apenas sete anos. A Ásia lidera o crescimento, seguida pelas Américas, enquanto a Europa apresenta um avanço mais moderado.
Ásia mantém liderança com a China no comando
A China consolida sua posição como líder mundial em adoção de robôs, com um crescimento de 20% nas instalações anuais, respondendo por 59% do total global. Foram instalados 354.000 robôs industriais em 2025, um aumento de quase 60.000 unidades em relação ao ano anterior. Fabricantes chineses respondem por 55% do mercado doméstico. O Japão, apesar de uma queda de 19% nas instalações, permanece como o segundo maior mercado asiático, enquanto a Coreia do Sul se mantém na quarta posição global com 30.000 unidades. A IFR prevê um crescimento modesto para o Japão e uma possível recuperação na Coreia do Sul a partir de 2027, impulsionada pelo setor automotivo.
Américas registram crescimento expressivo
Nos Estados Unidos, o mercado de robôs industriais superou o Japão, alcançando a segunda posição global. As instalações cresceram 12%, chegando a quase 38.500 unidades. No México, as instalações caíram 7% pela terceira vez consecutiva, enquanto o Canadá registrou um aumento de 5%. O Brasil se destaca com um crescimento de 38% nas instalações, totalizando quase 4.300 novos robôs, impulsionado principalmente pela indústria automotiva e investimentos de montadoras chinesas.
Europa avança com moderação e foco na Alemanha
A Alemanha continua sendo o principal mercado europeu, representando 41% das instalações na União Europeia. Apesar de uma queda de 8% nas vendas em 2025, totalizando menos de 25.000 unidades, o país mantém sua liderança. A indústria automotiva, tradicionalmente a maior usuária de robôs na Alemanha, vê sua participação diminuir. A Itália, segundo maior mercado europeu, teve uma queda de 11% nas instalações, e a França, apesar de um recuo de 8%, retomou a terceira posição no continente. A IFR projeta um crescimento contínuo a longo prazo, com a expectativa de 655.000 novas instalações em 2026 e 806.000 em 2029. Fatores como a necessidade de cadeias de suprimentos mais resilientes, políticas comerciais e conflitos geopolíticos impulsionam a relocalização de fabricantes, a busca por mão de obra e a produção nearshore/reshoring, que, por sua vez, aumentam a demanda por automação. Avanços em IA, visão computacional e programação mais simples prometem reduzir custos e expandir o uso de robôs.
O futuro do trabalho na era da automação
O crescimento exponencial da robótica industrial levanta questões sobre o futuro do mercado de trabalho. A escassez de mão de obra em setores como manufatura e montagem, com milhões de vagas em aberto até 2030, e os riscos à saúde associados a certas tarefas perigosas, tornam a automação uma solução cada vez mais necessária. A IFR sugere que robôs assumirão trabalhos repetitivos, perigosos ou indesejados, liberando humanos para funções mais complexas e estratégicas. A integração de IA e aprendizado de máquina continuará a aprimorar as capacidades dos robôs, tornando-os mais versáteis e eficientes. O desafio reside em gerenciar essa transição de forma a garantir que os benefícios da automação sejam amplamente distribuídos e que a força de trabalho possa se adaptar às novas demandas, focando em requalificação e novas oportunidades. A automação não visa substituir totalmente o trabalho humano, mas sim complementar e otimizar processos produtivos, enfrentando a falta de pessoal e os riscos ocupacionais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Collaborative Robotics Trends





