O estúdio britânico de arquitetura RSHP finalizou a segunda etapa do Centro Internacional de Convenções e Exposições da China Central, localizado na Zona Econômica do Aeroporto de Zhengzhou. O projeto, que se destaca pela escala monumental, compreende 16 pavilhões de exposição conectados por uma passarela elevada de 1,7 quilômetro de extensão, integrando o complexo a um centro de convenções e um hotel pré-existentes.
Segundo o estúdio, a área total do projeto atinge 697.566 metros quadrados, uma dimensão que a RSHP compara a cerca de 558 piscinas olímpicas. A construção foi viabilizada por um sistema estrutural modular de aço, estratégia adotada para garantir eficiência logística e cumprimento de cronogramas rigorosos em uma obra de proporções continentais.
Inovação em escala modular
A escolha pela modularidade não foi apenas uma necessidade técnica, mas o eixo central da proposta arquitetônica. O diretor do projeto, Richard Paul, destacou que a ambição da obra exigiu a padronização para que a execução fosse funcional dentro de um prazo limitado. A utilização de tecnologias de ponta permitiu que o complexo mantivesse uma identidade visual coesa, apesar da vastidão física.
A organização dos 16 pavilhões ao longo de um eixo central, dividido em dois níveis, prioriza a circulação de pedestres. Enquanto o pavimento superior serve como a espinha dorsal de acesso, o térreo acomoda áreas públicas e restaurantes. A estrutura de cobertura, inspirada na topografia local, como o Rio Amarelo e a Montanha Song, utiliza arcos ondulados para criar uma estética contínua e iluminada naturalmente.
Mecanismos de circulação e flexibilidade
O desenho funcional do complexo baseia-se em uma hierarquia de deslocamento intuitiva. Três pavilhões de entrada conectam os visitantes ao nível superior da passarela, de onde escadas rolantes e esteiras transportam o público para o interior das salas. Essa configuração permite que os visitantes tenham uma visão panorâmica dos pavilhões antes de acessarem as áreas de exposição, proporcionando uma compreensão espacial imediata da magnitude do local.
A flexibilidade operacional é garantida pela divisão dos pavilhões: 13 unidades padrão de 12.638,5 metros quadrados e três espaços multifuncionais. Essas áreas podem ser combinadas ou isoladas conforme a demanda de cada evento, demonstrando uma preocupação com a utilidade a longo prazo do ativo imobiliário, evitando o subaproveitamento comum em grandes centros de convenções.
Implicações para o urbanismo de grande escala
O projeto da RSHP reflete uma tendência crescente na China de construir infraestruturas que, além da função expositiva, operam como marcos geográficos reconhecíveis. A integração entre o centro de convenções, o hotel e os pavilhões cria uma unidade funcional que busca otimizar o fluxo de grandes multidões, um desafio constante em projetos de infraestrutura aeroportuária e econômica.
Além da eficiência, a sustentabilidade foi integrada ao design através de painéis fotovoltaicos no pavilhão de entrada e sistemas de captação de água da chuva para irrigação. Essas soluções apontam para a necessidade de grandes estruturas serem energeticamente responsáveis, um requisito cada vez mais presente nas diretrizes de planejamento urbano chinês.
Desafios e perspectivas futuras
Embora o projeto demonstre sucesso técnico na gestão de fluxos de grande escala, a longevidade do complexo dependerá da capacidade de Zhengzhou em atrair eventos constantes que justifiquem a manutenção de tal infraestrutura. A pergunta que permanece é se o design modular será suficiente para adaptar o espaço a novas demandas tecnológicas nos próximos anos.
A observação dos próximos ciclos de ocupação do centro revelará se o modelo de "espinha dorsal" elevada se tornará uma referência para futuros projetos de uso misto. O sucesso da RSHP em entregar um marco visível do ar e da terra estabelece um novo padrão para o desenvolvimento de zonas econômicas especiais.
A conclusão deste projeto reforça a posição da RSHP na execução de infraestruturas globais complexas, equilibrando a necessidade de escala com uma experiência humana organizada. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen Architecture





