Rubens Menin, um dos nomes mais proeminentes do setor imobiliário brasileiro e fundador da MRV, delineou sua visão sobre o que considera um patamar de juro real "civilizado" para as incorporadoras. Em sua avaliação, o atual nível de cerca de 9% – que já chegou a quase 10% – é insustentável. Menin aponta que o Brasil possui espaço para atingir uma taxa de juro real entre 4% e 5%, um cenário que ele descreve como "palatável" para o setor.

Para que essa redução se concretize de forma consistente, o empresário enfatiza a necessidade de um ajuste fiscal profundo e com credibilidade. Ele argumenta que, mesmo diante de pressões inflacionárias globais que levam outros países a elevar suas taxas de juros, o Brasil precisa priorizar a queda da Selic. "Ninguém mais suporta uma carga de juros tão elevada no Brasil. Não é possível mais dois anos dessa forma", declarou Menin em um evento da Abrainc, comparando a situação a um material que, submetido a esforço excessivo, escoa e perde sua capacidade de resistência.

O Juro Real e o Mercado Imobiliário

O custo do dinheiro tem um impacto direto e significativo nas operações das empresas do setor de construção civil, especialmente para aquelas que atuam em programas como o Minha Casa Minha Vida. Embora os juros altos não afetem drasticamente a demanda por imóveis populares, eles dificultam a captação de recursos e o financiamento de novos projetos. Um cenário de juros mais baixos, com um juro real entre 4% e 5%, abriria uma "avenida de crescimento" para o setor, permitindo maior liquidez e capacidade de investimento.

Menin ressalta que a queda da Selic não é apenas um objetivo em si, mas a forma como a curva de juros se comporta é crucial. A redução da taxa básica de juros, aliada a um custo de captação mais acessível, pode destravar novos empreendimentos e impulsionar a atividade econômica ligada à construção, desde a cadeia de suprimentos até a geração de empregos.

A Necessidade de Ajuste Fiscal e Credibilidade

O empresário é enfático ao afirmar que a solução para a atual conjuntura de juros elevados passa, impreterivelmente, por um ajuste fiscal robusto. Ele reconhece que tais medidas podem ser percebidas como dolorosas no curto prazo, mas argumenta que a dor de não implementá-las seria muito maior. A credibilidade do plano fiscal é vista como essencial para ancorar as expectativas e permitir que os juros caiam de forma sustentável, sem gerar pressões inflacionárias futuras.

Menin sugere que o país tem as ferramentas necessárias para realizar esse ajuste, necessitando de uma estratégia clara e bem executada. A combinação de responsabilidade fiscal com políticas que incentivem o investimento privado é o caminho apontado para destravar o potencial econômico do Brasil. A percepção de risco do país, refletida nos juros, diminuiria com a demonstração de compromisso com a saúde das contas públicas.

Potencial de Crescimento e Otimismo

Apesar dos desafios, Rubens Menin demonstra um otimismo considerável em relação ao futuro do mercado imobiliário brasileiro. Ele aponta dois fatores cruciais para sustentar essa visão: o baixo consumo de insumos e o potencial demográfico. O Brasil consome apenas 2% do aço e do cimento produzidos mundialmente, o que, para ele, evidencia um espaço considerável para crescimento na construção civil e em setores correlatos.

Adicionalmente, Menin destaca que cerca de 30 milhões de brasileiros nascidos nas últimas três décadas estão entrando ou já entraram na fase de aquisição de imóveis. Esse contingente populacional representa uma demanda latente significativa para o mercado imobiliário nos próximos anos, mesmo com um crescimento populacional mais lento. "Eu sou muito otimista. Acho que o copo está sempre meio cheio e que temos as ferramentas para consertar isso", concluiu.

O cenário de juros mais baixos, impulsionado por um ajuste fiscal crível, é visto como o catalisador que pode unir a demanda demográfica com a capacidade de investimento do setor, gerando um ciclo virtuoso de crescimento para a economia brasileira. A visão de Menin reflete a expectativa de que o país pode, sim, encontrar um caminho para a prosperidade econômica, com o setor imobiliário desempenhando um papel central nessa trajetória.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Metro Quadrado