O Banco Sabadell vendeu ao fundo americano Cerberus os 20% que ainda detinha na Promontoria Challenger I, a sociedade criada para gerir ativos imobiliários problemáticos, por €115 milhões. A transação, revelada no relatório semestral do banco, resultou em uma perda contábil de €45 milhões para a instituição catalã.
A venda marca o fim de um longo e tortuoso capítulo para o Sabadell. Mais do que uma simples transação de portfólio, o movimento representa a conclusão da limpeza de balanço de ativos tóxicos — o chamado "ladrillo tóxico" na Espanha — herdados da crise financeira de 2008. Aceitar a perda parece ser o preço calculado para encerrar definitivamente uma parceria que se tornou litigiosa.
O preço da limpeza
A joint venture com o Cerberus foi estruturada em 2018 como uma solução para transferir um portfólio de ativos deteriorados com valor bruto de aproximadamente €6,4 bilhões. O Sabadell manteve uma participação minoritária, uma estrutura comum para bancos europeus que buscavam limpar seus balanços sem realizar perdas massivas de uma só vez. A parceria, no entanto, azedou.
Divergências sobre o registro de imóveis e pagamentos diferidos levaram o Sabadell a processar o Cerberus na justiça britânica. Recentemente, um tribunal condenou o fundo a pagar mais de €400 milhões ao banco, somando o principal, juros e custas processuais. A venda da participação remanescente, mesmo com prejuízo, ocorre nesse contexto de alta fricção, sinalizando uma decisão estratégica de cortar todos os laços e simplificar a operação, eliminando um foco de instabilidade jurídica e financeira.
Para o Sabadell, a perda de €45 milhões é um custo contábil para obter um benefício estratégico: a simplificação do balanço e o fim de uma relação complexa com um sócio. O episódio ilustra como, mais de uma década depois, os bancos europeus ainda arcam com os custos — financeiros e de gestão — para se desfazer completamente da herança da grande crise financeira. A finalidade, neste caso, teve um preço claro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





