A Sabesp, desde a entrada da Equatorial como acionista de referência em 2024, tem demonstrado uma notável aceleração em seus investimentos em infraestrutura de saneamento. Atualmente, a companhia mantém cerca de 1.300 frentes de obras ativas em todo o estado de São Paulo, um número que reflete a nova dinâmica imposta pela gestão privada.
Roberval Tavares, diretor executivo de engenharia e operação, destacou em entrevista à Bloomberg Línea que, antes da privatização, a Sabesp investia aproximadamente R$ 4 bilhões anuais. Em 2025, esse valor saltou para R$ 15 bilhões, um aumento expressivo que, segundo Tavares, foi viabilizado pela maior capacidade de obtenção de empréstimos, elevação da geração de caixa e otimização da gestão. Essa injeção de capital permite que a empresa avance em projetos que vão do interior paulista à Baixada Santista e Litoral Norte, utilizando tecnologias adaptadas a cada região.
Expansão e Investimento
A nova estratégia da Sabesp sob o controle da Equatorial visa não apenas expandir a cobertura de água e esgoto, mas também aprimorar a qualidade dos serviços. A companhia é responsável pelo abastecimento e tratamento de esgoto em 376 municípios paulistas, atendendo a cerca de 30 milhões de habitantes. O plano de investimentos para o período de 2025 a 2029 prevê a aplicação de R$ 70 bilhões, com uma parcela significativa destinada à despoluição do Rio Tietê. Essa meta ambiciosa sinaliza um compromisso com a melhoria ambiental e a qualidade de vida da população.
Na Região Metropolitana de São Paulo, as obras em andamento incluem a instalação de 112 estações elevatórias de esgoto e 460 quilômetros de tubulações, além da modernização de unidades de tratamento. Essas intervenções devem beneficiar aproximadamente 1,75 milhão de pessoas em cerca de 650 mil imóveis. Entre 2023 e 2026, a empresa já havia construído 39 estações elevatórias, sete novas estações de tratamento de esgoto e 1.032 quilômetros de tubulações, alcançando 1,2 milhão de domicílios com coleta e tratamento de esgoto.
Despoluição do Rio Tietê
Um dos pilares do novo ciclo de investimentos da Sabesp é o programa de despoluição do Rio Tietê. Tavares identificou três fontes principais de poluição: o lançamento de esgoto doméstico sem tratamento, efluentes industriais mal gerenciados e a carga difusa, composta por resíduos e poluição do ar carregados pelas chuvas. A estratégia da empresa foca na coleta e tratamento do esgoto nos bairros antes que ele atinja os córregos, reduzindo a matéria orgânica lançada nos rios.
Essa abordagem, segundo a Sabesp, tem possibilitado a recuperação gradual das águas, tornando o Tietê, que é a "coluna vertebral" do sistema hídrico paulista, mais limpo. O exemplo do Rio Pinheiros, um de seus afluentes, que passou por obras de recuperação entre 2019 e 2022, demonstra a viabilidade dessa estratégia, com melhorias na vida aquática e na qualidade do ar. A expectativa é que a ampliação dessas ações gere benefícios diretos e visíveis para a sociedade.
Implicações e Stakeholders
A aceleração dos investimentos da Sabesp sob a gestão da Equatorial tem implicações significativas para diversos stakeholders. Para os consumidores, o aumento na infraestrutura de saneamento promete melhor qualidade de vida e saúde pública. Para o setor de infraestrutura e construção civil, representa um volume robusto de contratos e oportunidades. Reguladores e órgãos ambientais observam a capacidade da empresa em cumprir suas metas de despoluição, especialmente em um projeto de tamanha envergadura como o do Rio Tietê.
A entrada da Equatorial também pode servir de modelo para outras companhias de saneamento no Brasil, demonstrando como a parceria público-privada, quando bem estruturada, pode destravar investimentos e acelerar a entrega de serviços essenciais. A capacidade de financiamento e a eficiência operacional se tornam cruciais para a execução de planos de longo prazo que visam a universalização do saneamento.
Perguntas em Aberto
Embora o cenário de investimentos da Sabesp pareça promissor, algumas questões permanecem em aberto. A sustentabilidade financeira a longo prazo desses vultosos investimentos, especialmente em um contexto de tarifas controladas, será um ponto de atenção. Além disso, a capacidade de execução e a gestão dos 1.300 frentes de obras simultâneas demandarão uma logística e coordenação impecáveis para evitar gargalos e atrasos.
Será fundamental acompanhar a evolução do Rio Tietê e de seus afluentes, medindo o impacto real das obras de despoluição. A eficiência na gestão dos recursos hídricos e a adaptação às mudanças climáticas também se apresentarão como desafios contínuos para a Sabesp e para o setor de saneamento como um todo no estado de São Paulo.
A nova fase da Sabesp sob a Equatorial aponta para um futuro com mais investimentos em saneamento e um compromisso renovado com a recuperação ambiental, mas os desafios de execução e financiamento a longo prazo ainda exigirão atenção e estratégia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Bloomberg Línea




