Sabine Marcelis, a designer neozelandesa radicada em Roterdã, consolidou seu nome no cenário internacional com peças que frequentemente viralizam, desde a popular lâmpada "donut" para a IKEA até suas hipnotizantes mesas Candy Cube. Agora, a artista tem a oportunidade de apresentar o método por trás de sua reconhecida "mágica" em sua primeira exposição museológica, "Light and Color", no Museum für Gestaltung, em Zurique. A mostra marca a primeira vez que um museu dedica um espaço inteiramente ao trabalho de Marcelis.
O Olhar de Marcelis Sobre o Design
A exposição reúne 17 peças emblemáticas de sua carreira, incluindo "Tall Stripe", seu primeiro espelho, e os icônicos Candy Cubes, que a lançaram ao estrelato em 2014. Apesar da abrangência, Marcelis faz questão de desassociar a mostra de uma retrospectiva tradicional. "Eu não queria que a exposição parecesse um arquivo cronológico", explicou ela, "mas sim que selecionasse uma variedade de projetos que mostrassem diferentes formas de trabalhar com luz e cor". A curadoria, assinada por Damian Fopp, optou por organizar as peças por cor, criando transições suaves que remetem às graduações sutis presentes em suas obras, como as espreguiçadeiras de vidro curvo para o Pavilhão de Barcelona. Seus materiais prediletos — vidro, resina e pedra — são explorados em profundidade, com iluminação estratégica que realça os jogos de reflexos e sombras, resultado de anos de experimentação.
Mecanismos por Trás da "Magia"
Peças como a mesa de centro Lokum para Acerbis, empilhadas em uma parede curva, ilustram como a artista manipula a luz para criar efeitos visuais aquosos e gradientes de cor. Instalações em escala de ambiente, comparadas às "Infinity Mirror Rooms" de Yayoi Kusama, convidam o visitante a mergulhar nas infinitas reflexões de objetos icônicos, como a lâmpada "donut" da IKEA e a imponente Column, uma luminária de grande escala desenvolvida para a Mathmos. O curador Damian Fopp destaca que o objetivo não é apenas gerar "Instagram bait", mas permitir que o público experimente o efeito visual completo dessas obras, afastando-se da fruição puramente digital. "O trabalho dela circulou amplamente como imagem, mas nenhuma instituição havia olhado para ele como um todo", comentou Fopp. "Também foi interessante trazer a conversa de volta do online para o físico."
Implicações e o Processo Criativo
A mostra "Light and Color" também se propõe a desmistificar o processo criativo de Marcelis. Um mini-documentário e um livro comissionados para a exposição mergulham nos bastidores da concepção dessas peças que desafiam a percepção, revelando o trabalho de testes, prototipagem e produção realizado com sua equipe. Nos últimos anos, o estúdio de Marcelis tem ampliado a escala de seus projetos e focado em sustentabilidade, migrando para o uso de resinas 99% de base biológica e criando instalações para eventos como Coachella e para a sede da Apple. Independentemente da magnitude do projeto, a designer reafirma que os materiais continuam sendo seu principal guia.
Um Marco na Trajetória
"Um estúdio para design de materiais, instalações e objetos. Sempre em busca de momentos mágicos dentro da materialidade e dos processos de fabricação para criar experiências inesperadas": essa frase, com a qual Marcelis resume a essência de seu trabalho, encapsula a jornada de uma designer que transformou sua paixão por materiais em uma carreira de referência internacional. A exposição em Zurique serve como um marco, permitindo uma pausa para apreciar o caminho percorrido e as inovações que ainda estão por vir.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





