O Banco Santander comunicou aos sindicatos na Espanha o início de um processo de demissão em massa em suas subsidiárias de tecnologia, Santander Digital Services e Gravity. A medida, de caráter organizacional, ocorre justamente nas unidades que foram o cérebro por trás da modernização de sua infraestrutura tecnológica global.
A reestruturação levanta um debate crucial sobre o ciclo de vida de grandes projetos de inovação dentro de incumbentes. Após um investimento massivo para internalizar o desenvolvimento de sua principal plataforma bancária, o Santander agora sinaliza que, com o trabalho pesado perto do fim, a estrutura que o executou tornou-se superdimensionada.
O fim do ciclo de construção
A justificativa do banco é direta: o grosso do trabalho de desenvolvimento e implementação de suas novas plataformas já foi realizado. A Gravity, plataforma que abriga o novo "core" bancário do Santander, já está operacional na maioria dos mercados globais. O único grande projeto pendente, segundo a reportagem da Forbes España com base em fontes da Europa Press, é justamente a sua implementação no Brasil.
O movimento ilustra a transição de um modelo de "construção" para um de "manutenção". Equipes robustas, contratadas para um esforço concentrado de desenvolvimento, dão lugar a uma estrutura mais enxuta, focada em operação e melhorias incrementais. Para o setor, a decisão do Santander pode ser um prenúncio de como grandes bancos gerenciarão seus talentos de tecnologia após a conclusão de grandes ciclos de transformação digital.
Ainda não há números definidos sobre o tamanho do corte, que será negociado com os sindicatos. Contudo, a mensagem é clara: a internalização da tecnologia, vista como essencial para competir com fintechs, também traz consigo a complexidade de gerenciar equipes cujo propósito principal — construir do zero — foi cumprido. O desafio para o Santander e outros gigantes financeiros será reter o conhecimento crítico para não estagnar, mesmo operando com um time mais leve.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





