O Santander Brasil anunciou a contratação de Daniel Bassan, até então CEO do UBS para Brasil e América Latina, para o cargo de vice-presidente de seu braço de atacado e banco de investimento, o Santander Corporate & Investment Banking (SCIB). O executivo se reportará a Gilson Finkelsztain, o novo presidente do banco no país.
A peculiaridade do anúncio, no entanto, está no calendário: a chegada de Bassan está prevista apenas para o início de 2027. A longa espera indica um extenso período de quarentena (garden leave), comum em posições de alta senioridade no mercado financeiro. A leitura é que o movimento representa uma aposta estratégica e de longo prazo da nova gestão do Santander para se fortalecer em um dos segmentos mais competitivos do setor.
Uma Peça-Chave para o Novo Ciclo
A contratação de um executivo do calibre de Bassan, com mais de 30 anos de carreira e passagens por Credit Suisse e BTG Pactual, é uma declaração de intenções do Santander. Sob o comando recém-iniciado de Finkelsztain, que assumiu em julho, o banco sinaliza uma ofensiva para ganhar tração no mercado de capitais, financiamento estruturado e assessoria financeira para grandes empresas. Trata-se de um território dominado por incumbentes de peso como Itaú BBA, o próprio BTG Pactual e os gigantes globais.
Ao trazer um nome diretamente de um concorrente de ponta como o UBS, o Santander não está apenas preenchendo uma vaga, mas comprando expertise e uma rede de relacionamentos consolidada. A decisão de anunciar a contratação com mais de dois anos de antecedência serve para demarcar território e alinhar as expectativas do mercado quanto à direção que Finkelsztain pretende imprimir em sua gestão: um foco renovado na rentabilidade e sofisticação da operação de atacado.
Até a efetiva chegada de Bassan, a área de SCIB no Brasil seguirá sob a responsabilidade de Rafael Kappaz, atual chefe de Tesouraria e Mercados do banco. Para o Santander, a paciência parece ser um componente central da estratégia, garantindo um talento de peso para liderar o que espera ser seu próximo ciclo de crescimento no segmento corporativo. O mercado observará como o banco se posiciona neste longo ínterim.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





