O Santander iniciou a cobertura da Compass (PASS3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34,05 por ação para o final de 2027, sinalizando um potencial de retorno total de 49,4%. A análise reforça a tese de que a companhia ocupa uma posição singular no mercado brasileiro de energia ao operar simultaneamente em um segmento regulado, de fluxo previsível, e em uma frente de expansão focada em infraestrutura e comercialização.
Segundo o relatório, a estratégia da empresa não se resume apenas à operação de ativos de distribuição, mas reside na capacidade de capturar valor com a abertura do mercado de gás natural. A perspectiva editorial é de que a Compass se consolida como um player central na transição energética e na descarbonização industrial do país, utilizando sua base financeira sólida para sustentar investimentos em novas frentes de negócio.
A âncora da distribuição de gás
O pilar central da geração de caixa da Compass repousa sobre suas sete concessões de distribuição de gás, que incluem a Comgás, a maior distribuidora do Brasil. Este segmento é caracterizado por contratos de longo prazo e tarifas indexadas à inflação, o que confere à companhia um perfil defensivo, ideal para momentos de volatilidade macroeconômica.
Essa estrutura regulada não apenas garante a estabilidade necessária para o pagamento de dividendos, mas também funciona como um motor de financiamento para as iniciativas de crescimento orgânico. A presença geográfica estratégica no Centro-Sul permite que a companhia mantenha uma base de ativos regulatórios robusta, protegendo o fluxo de caixa contra oscilações de curto prazo na demanda industrial.
Edge como motor de crescimento
Enquanto a distribuição oferece segurança, a plataforma Edge é apontada pelo Santander como o principal vetor de opcionalidade e crescimento. O portfólio inclui o terminal de regaseificação de São Paulo (TRSP) e contratos estratégicos de fornecimento, como o firmado com a TotalEnergies até 2033, além da parceria na Onebio para biometano.
O mecanismo de valor aqui é a migração de consumidores para o mercado livre e a substituição de combustíveis fósseis mais caros, como o diesel, em setores de logística e transporte. Embora o nível de incerteza operacional na Edge seja superior ao do negócio regulado, a diversificação de ativos permite que a empresa capture margens em arbitragem de GNL e fornecimento para usinas térmicas.
Implicações para o setor e stakeholders
Para investidores e reguladores, a tese do Santander levanta questões sobre a velocidade de abertura do mercado livre de gás no Brasil. A concorrência com fontes alternativas e a evolução da demanda industrial serão determinantes para o sucesso da Edge, que depende da viabilidade econômica da substituição energética.
O projeto Subida da Serra permanece como um ponto de atenção regulatória que pode impactar a percepção de risco sobre os ativos. Paralelamente, a capacidade da companhia de otimizar sua logística de GNL e expandir a oferta de biometano será o teste definitivo para a tese de crescimento a longo prazo defendida pelo banco.
Perspectivas e incertezas
O valuation, que estima a empresa a 6,3 vezes o EV/EBITDA para 2027, reflete um otimismo contido quanto à execução desses projetos. O mercado deve observar de perto a eficiência na integração entre os novos ativos de infraestrutura e a base de clientes já consolidada pela rede de distribuição.
A sustentabilidade da taxa interna de retorno de 13% dependerá, em última instância, de um ambiente regulatório favorável e da maturidade do mercado de biometano, que ainda busca escala. A transição da Compass de uma holding de distribuição para um player integrado de energia está apenas começando a ser precificada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





