A ascensão da Inteligência Artificial (IA) nas empresas tem levado a uma adoção fragmentada, com áreas de negócio implementando ferramentas e pilotos de forma independente. Natalia Quadros, líder de Customer Experience (CX) da SAP, argumenta que essa abordagem precisa ser invertida. Para que a IA gere valor real, a estratégia corporativa deve preceder a experimentação, definindo objetivos claros no nível do board antes de avançar para as camadas operacionais. Essa visão, apresentada durante o SAP Connect 2026 em Las Vegas, enfatiza a necessidade de integrar tecnologia, processos, governança, dados e pessoas para construir a chamada "empresa autônoma".
A Estratégia Corporativa Acima da Experimentação
A facilidade de acesso à IA generativa acelerou sua adoção, mas também criou o risco de iniciativas descoordenadas. Quadros defende que o processo deve começar com o CEO e o conselho, estabelecendo as metas da companhia para a IA. A partir dessa definição estratégica, áreas como CX, supply chain, finanças e RH podem alinhar seus casos de uso sob um guarda-chuva corporativo. Isso é vital, pois a experiência do cliente frequentemente transcende o departamento de atendimento, exigindo integração com sistemas de back-office como ERP, estoque e faturamento. A promessa da SAP é que informações e processos do back-office alimentem em tempo real as interações com o consumidor, enquanto agentes e automações minimizam atritos e antecipam problemas, culminando em um futuro com "menos telas, menus e formulários e mais interações em linguagem natural e por voz".
Dados como Alicerce da IA em CX
A implementação eficaz da IA em CX, seja em atendimento, campanhas ou vendas, depende fundamentalmente de uma fundação robusta de dados. A empresa precisa possuir dados confiáveis e contextualizados para que a IA compreenda não apenas a pergunta do cliente, mas a semântica e as relações entre informações distribuídas em diversos sistemas. Essa camada de integração de dados é o que permite que informações do back-office sejam corretamente aplicadas em interações com o consumidor. Sem essa base, respostas parciais ou incorretas podem comprometer a experiência do cliente, transformando uma interação potencialmente negativa em uma oportunidade perdida. A IA, portanto, não substitui a necessidade de organização e qualidade dos dados empresariais.
IA: Ferramenta de Precisão, Não Bala de Prata
Quadros adverte contra a aplicação indiscriminada de IA, comparando-a a "dar um tiro numa mosca com um canhão". Nem todo problema empresarial requer IA generativa ou agentes. Em muitas aplicações de personalização e gestão de campanhas, tecnologias e automações já existentes podem oferecer experiências sofisticadas. O investimento em IA deve ser direcionado a pontos onde a tecnologia agrega eficiência, produtividade ou capacidade anteriormente inexistente. A pergunta fundamental não é onde colocar IA, mas sim qual problema a IA pode resolver de forma superior às soluções atuais, otimizando processos internos e externos com precisão e foco.
O Caminho para a Empresa Autônoma
A transição para uma "empresa autônoma" através da IA em CX representa uma mudança de foco: de interfaces complexas para interações mais intuitivas e eficientes. A estratégia corporativa, o alinhamento entre áreas e a qualidade dos dados são pilares essenciais para que essa transformação gere valor sustentável. A SAP aposta na integração profunda entre o front-office e o back-office, permitindo que a inteligência artificial atue como um facilitador para antecipar necessidades e resolver problemas com agilidade sem precedentes.
A jornada rumo a uma experiência do cliente verdadeiramente autônoma e inteligente exige uma visão holística, onde a tecnologia é apenas uma peça de um ecossistema maior de processos, dados e pessoas. O sucesso dependerá da capacidade das empresas em orquestrar essas diferentes frentes, garantindo que a IA sirva como um catalisador para a eficiência e a satisfação do cliente. Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





