Os Estados Unidos atingiram um marco preocupante em 2026: os casos de sarampo ultrapassaram a marca de 3.500, um número não registrado há 35 anos. Dados compilados pela International Vaccine Access Center, da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, indicam que até 18 de setembro, 3.568 casos foram reportados no país. De forma alarmante, quase 10% desses casos – 341 infecções – ocorreram nas duas semanas anteriores à mesma data. Este número representa um aumento de quase 1.300 casos em relação ao total de 2025 e um retorno a níveis de incidência comparáveis a 1991, quando o país registrou 9.643 casos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Embora haja uma ligeira discrepância entre os dados da Johns Hopkins e os do CDC (que aponta 3.471 casos confirmados até a mesma data), a tendência de ressurgimento é inegável. O sarampo, que havia sido declarado erradicado nos EUA em 2000, tem visto um aumento progressivo desde 2019, com picos em 2025 e agora em 2026.
O ressurgimento da doença
O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa, foi oficialmente declarado erradicado nos Estados Unidos em 2000, após campanhas de vacinação bem-sucedidas. Entre 2000 e 2018, o país registrava apenas dezenas a poucas centenas de casos anualmente. No entanto, em 2019, um surto significativo com mais de 1.200 casos marcou o início de uma tendência de alta. Embora os casos tenham diminuído durante a pandemia de Covid-19 devido às medidas de distanciamento social, eles voltaram a crescer em 2025, com quase 2.300 infecções, e agora, em 2026, superam os 3.500. Este cenário não é exclusivo dos EUA; a UNICEF tem alertado para um aumento global de casos de sarampo. Os principais fatores apontados para essa escalada são a crescente hesitação vacinal e os cortes no financiamento da saúde pública, tendências que se intensificaram nos EUA desde 2025.
Áreas mais afetadas e o papel da vacinação
Os mapas de rastreamento divulgados tanto pelo CDC quanto pela Johns Hopkins revelam que casos de sarampo foram reportados em quase todos os estados americanos em 2026, com exceção de Arkansas, Havaí, Mississippi, Nevada e New Hampshire. Nove estados registraram mais de 100 casos cada, com destaque para a Pensilvânia, que lidera o ranking com 745 infecções. Carolina do Sul (670 casos) e Utah (527 casos) seguem na lista. Uma análise mais detalhada do período de duas semanas (4 a 18 de setembro) mostra a Pensilvânia como epicentro de surtos ativos, concentrando 193 dos 314 casos confirmados nesse intervalo, seguida por Ohio (58 casos) e Wisconsin (20 casos). A queda nas taxas de vacinação, impulsionada pela desinformação e pela diminuição da confiança nas autoridades de saúde, é vista como o principal motor por trás desse ressurgimento.
Implicações para a saúde pública
O ressurgimento do sarampo nos EUA levanta sérias preocupações para a saúde pública. A doença, embora geralmente não fatal, pode levar a complicações graves, como pneumonia, encefalite e, em casos raros, morte, especialmente em crianças pequenas e indivíduos com sistema imunológico comprometido. A alta transmissibilidade do vírus significa que surtos podem se espalhar rapidamente, sobrecarregando os sistemas de saúde. Além disso, o aumento de casos pode minar os esforços para manter a certificação de erradicação da doença, exigindo investimentos significativos em vigilância, resposta a surtos e campanhas de revacinação. A situação atual nos EUA serve como um alerta para outros países sobre a importância de manter altas coberturas vacinais e de proteger o financiamento dos programas de saúde pública, mesmo em tempos de relativa calma epidemiológica.
Perguntas em aberto
A persistência da hesitação vacinal e a adequação dos recursos destinados à saúde pública nos EUA permanecem como questões centrais. Será que as autoridades conseguirão reverter a tendência de queda nas taxas de vacinação e conter os surtos antes que se tornem ainda mais generalizados? A capacidade do sistema de saúde americano de responder a um número crescente de casos, enquanto lida com outras demandas, também é um ponto de atenção. A eficácia de futuras campanhas de comunicação para combater a desinformação e restaurar a confiança pública na vacinação será crucial para determinar o futuro do controle de doenças infecciosas no país. A trajetória atual sugere que a luta contra o sarampo está longe de terminar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





