A Unidade de Cuidados Paliativos (UCP) do Área de Saúde de Eivissa e Formentera celebrou recentemente 25 anos de atuação, um marco significativo que reflete o compromisso com a qualidade de vida de pacientes em estado de vulnerabilidade. Ao longo de um quarto de século, a unidade prestou assistência a mais de 6.500 pessoas, consolidando-se como um pilar fundamental nos cuidados de saúde da região. A celebração contou com a presença da consellera de Saúde, Manuela García, que se reuniu com a equipe para reconhecer o trabalho desenvolvido.
Fundada em 2001, um ano após a criação da Unidade de Hospitalização a Domicílio, a UCP de Eivissa e Formentera nasceu com o objetivo primordial de oferecer suporte integral a pacientes com doenças graves e seus familiares. Inicialmente focada em pacientes oncológicos, que ainda representam a maioria (cerca de 80%), a unidade ampliou seu escopo de atuação a partir de 2010, passando a atender também pacientes com outras patologias complexas. Essa evolução demonstra a capacidade de adaptação e a crescente demanda por cuidados paliativos em um espectro mais amplo de condições médicas.
Ampliação e Novos Recursos
O ano de 2025 marcou um período de expansão para a unidade, com um total de 368 pacientes atendidos. Foram realizadas 1.024 visitas domiciliares, 396 consultas externas e 1.571 visitas a pacientes internados no Hospital Can Misses. Um dos avanços mais importantes foi a incorporação de uma terceira médica à equipe, fortalecendo a capacidade de atendimento e a oferta de serviços especializados. Atualmente, a equipe multidisciplinar é composta por três médicas, uma enfermeira, uma psicooncologista e uma técnica em cuidados de enfermagem, configurando um time robusto e preparado para os desafios.
A recente ampliação da equipe permitiu a inauguração de uma nova consulta dedicada a pacientes e familiares. Localizada no térreo do Edifício C, esta nova sala de atendimento funciona de segunda a sexta-feira durante o período da manhã, oferecendo um espaço mais acessível e acolhedor para discussões de planos de cuidado, suporte emocional e informações sobre a doença e tratamentos. A iniciativa visa otimizar a experiência do paciente e de seus entes queridos, reforçando o caráter humanizado dos cuidados paliativos.
O Papel Essencial dos Cuidados Paliativos
Desde sua criação, a consulta de cuidados paliativos tem como meta central a melhoria da qualidade de vida. Isso é alcançado através do manejo eficaz dos sintomas da doença, do alívio do sofrimento físico e emocional, e do suporte aos cuidadores, que desempenham um papel crucial no bem-estar do paciente. A abordagem paliativa não se limita ao controle da dor, mas abrange também aspectos psicossociais e espirituais, promovendo dignidade e autonomia.
A expansão do atendimento para além de patologias oncológicas é um reflexo da crescente compreensão sobre a importância dos cuidados paliativos em doenças crônicas, degenerativas ou em fase terminal, independentemente de sua origem. Essa inclusão permite que um número maior de pessoas se beneficie de uma atenção especializada que visa o conforto, a autonomia e a melhor qualidade de vida possível, mesmo diante de quadros clínicos complexos.
Implicações para a Saúde Pública
A trajetória da UCP de Eivissa e Formentera em seus 25 anos de existência ressalta a relevância do investimento em serviços de saúde pública especializados. A capacidade de atender a um número crescente de pacientes, aliada à expansão de recursos e equipes, demonstra um modelo de gestão que prioriza o bem-estar da população. A ampliação do escopo de atuação para diversas patologias também indica uma tendência de integração dos cuidados paliativos em diferentes especialidades médicas.
Para o ecossistema de saúde, a consolidação de unidades como esta serve como um modelo a ser replicado. A experiência acumulada ao longo de 25 anos, com mais de 6.500 pacientes assistidos, oferece um valioso banco de dados e conhecimento prático sobre as necessidades específicas de pacientes com doenças complexas e suas famílias. A articulação entre a unidade extra-hospitalar e o hospital local, como o Can Misses, é fundamental para a continuidade do cuidado e a eficácia do tratamento.
Perguntas em Aberto e o Futuro
À medida que a unidade celebra este marco, surgem questões sobre o futuro e a sustentabilidade desses serviços. Como garantir que o acesso aos cuidados paliativos continue a se expandir e a alcançar todos que precisam, especialmente em regiões mais remotas? Quais os próximos passos para a integração ainda maior dos cuidados paliativos na rede de saúde pública, talvez com programas de formação contínua para profissionais de outras áreas?
A continuidade do investimento em equipes qualificadas e infraestrutura adequada será essencial. A experiência de Eivissa e Formentera sugere que a aposta em um atendimento multidisciplinar e humanizado é o caminho para responder às crescentes demandas da saúde, assegurando que a qualidade de vida permaneça no centro das atenções, mesmo nos momentos mais desafiadores. A unidade, com sua história de 25 anos, aponta para um futuro onde os cuidados paliativos são cada vez mais reconhecidos e acessíveis.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





