A Sceye, empresa que vislumbra "torres de celular na estratosfera", selou um acordo de cinco anos com a SoftBank para fabricar, lançar e operar uma frota de seus sistemas de plataformas de alta altitude (HAPS) sobre o Japão. A iniciativa busca posicionar a tecnologia HAPS como uma ponte estratégica entre a infraestrutura de comunicação terrestre e as redes de satélites, prometendo conectar áreas remotas e aprimorar a resiliência das redes de comunicação.
Um novo patamar de conectividade
A proposta da Sceye é ambiciosa: colocar em operação uma frota de pelo menos 40 unidades HAPS em cinco anos. Essas plataformas, que operam a aproximadamente 20 km de altitude, oferecem uma alternativa viável e ágil em comparação com os tradicionais lançamentos de foguetes para satélites. A Sceye será responsável pela propriedade e operação das plataformas, vendendo o serviço à SoftBank. O acordo prevê que a maior parte da frota proverá banda larga móvel, enquanto um subconjunto formará uma rede de comunicação óptica por laser no espaço livre (FSO) na estratosfera.
A tecnologia HAPS em ação
O CEO da Sceye, Mikkel Vestergaard Frandsen, destacou que a tecnologia HAPS não compete com satélites, mas os complementa, garantindo que "ninguém fique para trás". A SoftBank, que já investiu US$ 15 milhões na Sceye em 2025, demonstrou confiança na capacidade da empresa de "fechar o ciclo de energia", mantendo a altitude das plataformas durante a noite para recarga solar. Em setembro, a missão "Service Test 1" com a SoftBank testou com sucesso a SceyeCell, que entregou textos, chamadas de voz e streaming de vídeo diretamente para telefones padrão, inclusive em ambientes internos. Testes de computação de borda (edge computing) a bordo também reduziram a latência em 40%.
Vantagens e desafios da estratosfera
A principal vantagem competitiva da Sceye reside na sua independência dos cronogramas de lançamento de foguetes. Suas plataformas podem atingir a altitude operacional em menos de 30 minutos, utilizando gás de sustentação. Essa agilidade contrasta com os longos prazos e a incerteza associados aos lançamentos espaciais. A Sceye compara suas plataformas a satélites geoestacionários (GEO), mas com a capacidade de operar em altitudes muito menores e com a possibilidade de substituição e manutenção. Contudo, o recorde atual de voo contínuo é de 30 dias, e o processo de recuperação e recondicionamento das plataformas leva meses. A meta é estender o tempo de voo para seis meses ou mais, reduzindo o tempo de manutenção para semanas.
O futuro da conectividade estratosférica
O acordo entre Sceye e SoftBank sinaliza um interesse crescente em soluções de conectividade de alta altitude como um complemento ou alternativa aos satélites. A capacidade de implantação rápida e a flexibilidade operacional das HAPS podem ser cruciais para atender à demanda por conectividade em eventos de emergência, áreas de difícil acesso ou para complementar a cobertura de redes 5G e futuras gerações. O sucesso da Sceye dependerá da sua capacidade de escalar a produção, garantir a confiabilidade operacional a longo prazo e otimizar os custos de manutenção para tornar a tecnologia economicamente viável em larga escala. A estratégia da SoftBank de também adotar o serviço direto-para-celular da Starlink no Japão indica uma abordagem multifacetada para a cobertura de comunicação.
Com reportagem de Brazil Valley
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