Schneider Electric e Equinix estão em fase piloto de um sistema de chaveamento de média tensão definido por software. A iniciativa promete revolucionar a construção de data centers, permitindo que novas capacidades sejam adicionadas aos sistemas elétricos sem a necessidade de modificações físicas no hardware. A novidade foi apresentada pela divisão de infraestrutura de energia da Schneider no evento YOTTA 2026, focado em infraestrutura digital, em Las Vegas.
O chaveamento elétrico, responsável por controlar e proteger o fluxo de eletricidade em uma instalação, desempenha um papel crucial na segurança e na operação de qualquer centro de dados. Sistemas de média tensão, que operam entre 1 kV e 36 kV, são a ponte entre a rede de alta tensão da concessionária e as fontes de baixa tensão que alimentam os racks de servidores. Tradicionalmente, esses sistemas são projetados sob medida para atender às especificações de cada local, um processo que pode ser demorado e custoso.
A Nova Arquitetura: Padronização e Flexibilidade
A abordagem da Schneider Electric inverte esse modelo. Em vez de soluções customizadas, a empresa utiliza hardware padronizado, cujas funções de proteção, automação, medição, monitoramento e controle são configuradas via software. Essa modularidade permite a produção em massa dos componentes, que podem ser adaptados às necessidades específicas de cada data center após sua chegada ao local. A promessa é que atualizações remotas (over-the-air) possam introduzir novas funcionalidades e aprimorar o desempenho sem intervenção física ou interrupção no fornecimento de energia.
A arquitetura já está em operação em uma instalação de colocation da Equinix, como parte de um projeto piloto. Frédéric Godemel, vice-presidente executivo de Gerenciamento de Energia da Schneider, destacou o desafio de acompanhar o crescimento da inteligência artificial, que exige infraestrutura de energia resiliente, eficiente e escalável para um mundo cada vez mais digital. A migração de funções para o software, segundo a Schneider, permitirá aos operadores padronizar equipamentos entre diferentes unidades e adaptá-los conforme as demandas de energia evoluem.
Desafios e Implicações para o Setor
Data centers de grande escala, especialmente aqueles voltados para cargas de computação massivas como as de IA, estão se aproximando da capacidade de gigawatts. Isso demanda uma distribuição de média tensão mais robusta, que pode operar em níveis de 13.8 kV, 34.5 kV ou ambos, dependendo do local. A integração de geração própria ou sistemas de armazenamento de energia aumenta ainda mais a complexidade e a escala da infraestrutura de média tensão. Historicamente, esses sistemas exigiam um projeto específico para cada local e testes extensivos antes da ativação, resultando em longos atrasos no cronograma de construção.
A Schneider alega que sua nova abordagem pode triplicar a velocidade de pedido e fabricação, além de reduzir pela metade o tempo de comissionamento e aceitação no local, em comparação com os sistemas convencionais. No entanto, a transferência de funções críticas de proteção e controle para o ambiente de software levanta questões importantes sobre cibersegurança, testes de atualização e recuperação de falhas. Uma atualização defeituosa ou maliciosa em equipamentos elétricos de segurança crítica pode ter consequências muito mais graves do que um simples patch em um computador pessoal.
Segurança e Padronização em Foco
Para mitigar esses riscos, a Schneider precisará demonstrar claramente como as atualizações serão autenticadas, testadas, revertidas e impedidas de causar interrupções na distribuição de energia. Greg Metcalf, diretor sênior de Design e Inovação Global de Data Centers da Equinix, expressou otimismo quanto ao potencial da tecnologia para padronizar o projeto, aquisição, construção e operação de sistemas de chaveamento, mantendo os mais altos padrões de segurança, qualidade e confiabilidade.
A empresa planeja estender essa arquitetura definida por software para toda a sua linha de produtos de média tensão, incluindo as linhas PremSet e AirSeT. Os programas piloto continuarão até 2027, com a expectativa de disponibilidade mais ampla para o mercado a partir de 2028. A iniciativa representa um passo significativo na convergência entre infraestrutura física e digital no setor de data centers.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





