A adoção de inteligência artificial pelas empresas caminha em ritmos distintos, com um grupo seleto de organizações, denominadas "pacesetters", demonstrando um avanço significativo em relação à maioria. Segundo Diana David, diretora de futuros da ServiceNow e autodenominada "futurista com atuação avançada", a principal distinção entre esses líderes e os demais não reside na sofisticação tecnológica, mas sim na estratégia de investimento em capital humano. A lacuna mais expressiva, identificada no Índice de Maturidade de IA Empresarial da ServiceNow, encontra-se na capacitação e no desenvolvimento de pessoal.
O estudo aponta que 57% dos "pacesetters" investem em aprimoramento contínuo em IA, um contraste gritante com os meros 4% das demais organizações. Essa disparidade se estende à atração, contratação e retenção de talentos em IA, onde a diferença é ainda mais acentuada: 68% dos líderes investem ativamente, contra apenas 10% dos demais. David enfatiza que o sucesso em IA não se resume à tecnologia, mas a uma combinação de disciplina operacional, transformação organizacional e, fundamentalmente, ao fator humano.
O diferencial dos líderes em IA
Os "pacesetters", que representam cerca de 21% das empresas pesquisadas e alcançam uma pontuação média de 74 no índice de 100 pontos, exibem vantagens em diversas frentes. Além do investimento em talentos, 64% deles estão em caminho para unificar seus dados, comparado a apenas 14% dos demais. Uma visão clara e robusta de IA também é mais comum entre esses líderes, presente em 57% deles, contra 21% do grupo restante. Essa liderança se traduz em fluxos de trabalho autônomos mais avançados, com 36% dos "pacesetters" empregando fluxos de trabalho multi-etapas sem intervenção humana constante, enquanto apenas 2% das outras empresas alcançam esse patamar.
A armadilha da adoção superficial
David critica o que chama de "adoção de IA para todos", uma tendência comum onde CEOs buscam uma narrativa de ampla implementação. Embora essa abordagem possa gerar manchetes, ela frequentemente falha em se traduzir em ganhos reais de produtividade. A falta de treinamento adequado e de uma estratégia de maturidade por trás da distribuição de ferramentas de IA leva muitas empresas a uma adoção superficial, que não impacta positivamente os resultados. Essa superficialidade pode levar à frustração e à posterior restrição a casos de uso específicos, perdendo o potencial transformador da tecnologia.
Liderança e visão estratégica são cruciais
A solução para superar a lacuna de maturidade em IA, segundo David, começa no topo da organização. Uma liderança com mentalidade de crescimento e uma visão clara do futuro da empresa são essenciais. Essa visão deve ser acompanhada por treinamento específico e pela concepção de processos que considerem a IA desde o início, em vez de simplesmente "espalhar IA" sobre fluxos de trabalho antigos ou ineficientes. A rápida evolução da tecnologia exige uma abordagem iterativa, com transparência e uma base de dados sólida, permitindo flexibilidade e adaptação contínua.
Perguntas em aberto no caminho da maturidade
Embora o índice da ServiceNow mostre um progresso geral na maturidade da IA, com pontuações que se recuperaram após uma queda inicial, questões importantes permanecem. A volatilidade do índice sugere que o caminho para a verdadeira maturidade empresarial em IA ainda é incerto. A ServiceNow planeja incorporar métricas de IA agêntica no próximo ano, focando na implantação e no valor comercial real. A capacidade das empresas de demonstrar um retorno tangível sobre o investimento em IA, além da mera posse da tecnologia, definirá os verdadeiros líderes nesse cenário em constante evolução.
O cenário da inteligência artificial corporativa é complexo, e o sucesso não se mede apenas pela tecnologia implementada, mas pela capacidade de integrar essa tecnologia de forma estratégica e humana. A aposta em talentos e na capacitação contínua parece ser o diferencial que separa aqueles que apenas utilizam IA daqueles que a dominam para impulsionar o crescimento e a eficiência. A jornada para a maturidade em IA é, portanto, intrinsecamente ligada à jornada de desenvolvimento de seus colaboradores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





